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O fuzuê político e eleitoral
09/07/2014 as 12:18 h  Autor Juacy da Silva  Imprimir Imprimir
Já estamos no período das eleições de outubro de 2014. Na última segunda-feira, 30 de junho, foi o prazo final para que os partidos e coligações realizassem suas convenções para a escolha dos candidatos a presidente da República, senadores, governadores, deputados federais e estaduais.

A organização política no Brasil é marcada pela falta de coerência, acordos muitas vezes pouco transparentes, muito oportunismo e um emaranhado de partidos sem princípios claros e bases ideológicas e filosóficas que constam apenas de seus estatutos e jamais representam um rumo em termos de construção de um projeto nacional de desenvolvimento.

Faz parte do senso comum a ideia de que existem quatro ou cinco grandes partidos, alguns de tamanho e representatividade média e quase duas dezenas dos chamados partidos nanicos ou legendas de aluguel. Durante os acordos para a formação das coligações, dos blocos e frentes é comum entrar como moeda de troca o famoso caixa dois, que até o um ex-presidente reconhecia e achava normal, apesar desta prática ser considerada um crime eleitoral e também o tempo de propaganda eleitoral obrigatória que os partidos tem direito a ser veiculada na TV, radio e outros meios de comunicação.

Na esfera legislativa, em todos os níveis, desde as câmaras municipais, passando pelas assembleias legislativas até chegar ao Congresso Nacional, mesmo que os detentores do cargo executivo de prefeito, governador e presidente da república não contem com maioria de base parlamentar formada durante as eleições, isto não é problema, com alguma maestria e outras vantagens que a população sabe que existe mas que nem sempre é possível comprovar, o poder executivo acaba formando maioria, mantida as custas de favores, barganhas, loteamento de cargos, favorecimento em licitações ou até mesmo o pagamento de propina com dinheiro surrupiado dos cofres públicos.Vide mensalão e outros escândalos recentes!

Quando das investigações de práticas de corrupção, é comum a Polícia Federal ou o Ministério Público Federal ou estadual acabar gravando ou filmando tais negociatas, o que não deixa de ser uma vergonha para a política brasileira. Tendo a impunidade, a existência de privilégios, incluindo foro especial e a morosidade da nossa justiça, a corrupção está presente no cenário politico brasileiro desde o lançamento das candidaturas, a realização das eleições com a compra de votos e o uso vergonhoso da máquina pública a favor dos candidatos a reeleição quando no executivo ou de parlamentares que fazem parte da base do governo, em todas as instâncias.

Outra excrescência ou incongruência da vida política brasileira são as alianças partidárias. Em todas as instâncias da vida nacional, municípios, estados e união, o poder legislativo tem dois grandes blocos, de um lado os partidos que apoiam o governo e agem de forma totalmente subserviente aos ditames do detentor do poder executivo formam o bloco majoritário e de outro, os partidos que não se alinham com o governo formam o bloco de oposição.

Geralmente a formação desses blocos transcendem os posicionamentos doutrinários e ideológicos como no caso atual, em que a presidente da República e alguns governadores são filiados ao PT e fazem alianças com partidos considerados de direita como PP, PR, PSD, trabalhistas e grupos de interesse diversos como usineiros, latifundiários, muitos políticos acusados de corrupção, além do PMDB que ao longo dos últimos 25 ou quase trinta anos está sempre no governo, pouco importando quem seja o governante de plantão, de Sarney, passando por Collor/Itamar, FHC, Lula e atualmente com Dilma.

Para aumentar este fuzuê os palanques estaduais representam uma verdadeira salada ou mixórdia, onde o que conta mesmo são os interesses imediatos de alguns candidatos, caciques e donos de partidos, jamais o interesse da população, dos estados ou do país.

Para finalizar ainda existe o problema de candidatos sobre quem pesam acusações e investigações por prática de corrupção, gestão temerária e outros delitos mais, dificultando ao eleitor uma escolha verdadeira, pois entre tantas mazelas o voto consciente, no sentido de evitar o voto em politico ficha suja é um dos maiores desafios da democracia brasileiro ou a chamada democracia de fachada como eu a denomino! Isto é triste, mas é a realidade!

Juacy da Silva é professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. E-mail: professor.juacy@yahoo.com.br. Blog: www.professorjuacy.blogspot.com. Twitter@profjuacy

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