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Profissionais do agro: demanda, oferta e qualidade
26/05/2014 as 16:24 h  Autor José Otavio Menten  Imprimir Imprimir
Para que uma atividade econômica funcione bem, há necessidade, entre outros requisitos, que existam profissionais qualificados para executarem diversas funções. No agro isto também é necessário. Talvez não seja tão evidente como na área da saúde, onde foi constatado, embora existam divergências, que havia falta de médicos no nosso mercado. Daí o Programa Mais Médicos, com a contratação de profissionais de Cuba. No agro brasileiro o trabalho é executado por diversos profissionais. Para as atividades mais complexas, envolvendo estudos, projetos e gerenciamento há necessidade de engenheiros, principalmente o agrônomo, assim como o florestal, agrícola e de pesca, médicos veterinários, zootecnistas, agrimensores, químicos e outros profissionais de nível superior pleno, das ciências agrárias e de outras áreas: engenharias ambientais, de alimentos, civis, mecânicos, biólogos, cientistas de alimentos, nutricionistas, economistas, administradores, advogados, jornalistas, médicos etc.

A questão é: quantos profissionais são necessários, atualmente e no futuro, para executar funções essenciais no agro, envolvendo o antes da porteira (insumos, planejamento, seguro), o dentro da porteira (produção vegetal e animal) e o depois da porteira (armazenamento, processamento, comercialização e distribuição)? Existe algum estudo científico que auxilie a obtenção desta resposta? Isto é fundamental para definirmos o número de jovens que devemos formar em cada uma das profissões. Esta informação pode ser útil na autorização de abertura de novos cursos de profissões tradicionais e o estímulo a criação de cursos que formem profissionais com conhecimentos específicos.

Tomando com base um dos profissionais mais típicos e tradicionais demandados pelo agro brasileiro, o engenheiro agrônomo, em 2012 havia 262 cursos no Brasil, ofertando cerca de 20.000 vagas por ano. Contando com os profissionais já existentes, que estão trabalhando no agro, haverá mercado para absorver todos estes egressos? Quantos engenheiros agrônomos necessitamos? É verdade que nem todos os formados em engenharia agronômica vão exercer suas atribuições profissionais. Até que ponto devemos nos responsabilizar pelas eventuais frustrações de um recém-formado que vai encontrar dificuldade de ingressar em seu mercado de trabalho, pela não existência de demanda?

O próprio Ministério da Educação deve ter dificuldades para avaliar esta questão e interferir neste mercado da educação superior. E surge outro problema: a qualidade dos cursos e dos egressos. Na engenharia agronômica se discute muito a atual existência de cursos noturnos. Em breve, estaremos discutindo os cursos à distância. Há pouco acompanhamos o fechamento de instituições de ensino tradicionais pela baixa qualidade. Isto cria um grande problema para os estudantes que investiram recursos financeiros e tempo e terão que buscar novas instituições para darem sequência aos seus estudos visando a obtenção de um diploma/título acadêmico.

Os engenheiros agrônomos demandados pelo agro brasileiro devem ter sólida formação básica (exatas, biológicas e humanas) e formação profissionalizante ampla, generalista, com conhecimentos para trabalhar com recursos naturais/manejo ambiental, biotecnologia, engenharia rural (máquinas e implementos, topografia/ georreferenciamento, irrigação/ drenagem, construções rurais), produção vegetal e animal, processamento de produtos agropecuários e economia, administração e sociologia rural. Esta formação técnica holística, além de qualidades pessoais como ética, responsabilidade e liderança, comunicação/idiomas, tecnologia da informação e gestão são essenciais. Será que todos os cursos estão formando profissionais adequados a nossa realidade? Há necessidade de um exame de habilitação dos egressos, semelhante ao "exame de ordem" dos advogados, antes de obterem seu registro profissional e puderem exercer a profissão? É importante lembrar que a sociedade tem o direito de contar com profissionais habilitados, competentes, para que não haja risco das pessoas e do ambiente pelo exercício inadequado de uma atividade.

Esta reflexão deve estar presente para todos os outros profissionais do agro, incluindo os de nível técnico e tecnólogo. Através de estudos científicos será possível estimar o número de cada um destes profissionais, além da qualidade, para que o agro brasileiro possa atender as expectativas da sociedade brasileira e do mundo, já que diversas instituições internacionais tem declarado que o Brasil é o país que mais vai contribuir com a produção de alimentos nos próximos 50 anos. Além de se destacar a importância do país na produção de agroenergia, limpa e renovável, e fibras.

Por José Otavio Menten, presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia, Pós-Doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia, Professor Associado da USP/ESALQ.

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