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A fábula dos remédios no país do futebol
20/05/2014 as 06:53 h  Autor Célio Pezza  Imprimir Imprimir
Era uma vez um país onde existiam muitos doentes e os hospitais eram poucos e mal cuidados. Não existiam médicos suficientes, não existiam hospitais adequados nem remédios de graça. Aqueles que não tinham um bom plano de saúde particular e nem dinheiro para comprar os medicamentos, ficavam doentes a espera de algum milagre; outros, mais graves, morriam e viravam um número nas estatísticas.

Este país era dividido em estados e as pessoas diziam que alguns eram melhores que outros, mas, no fundo, eram todos parecidos, pois existia um grande mal chamado Corrupção em sua cabeça. Um dia, o governo deste país resolveu comprar remédios para distribuir ao povo. As compras de medicamentos foram cantadas em verso e prosa por todo o país e todos aplaudiram o feito inédito. Agora, a população menos favorecida teria remédios e tudo ficaria melhor.

O tempo foi passando, as verbas eram repassadas para as Secretarias responsáveis e estas iam fazendo as compras milionárias, para que o povo ficasse cada ano mais saudável. Curiosamente, por mais que o governo gastasse com os remédios, eles não eram suficientes e sempre faltavam nos postos de saúde. Era comum um doente ir com sua receita buscar o seu remédio grátis em um local perto de sua casa e lá o mandavam para outro. Depois de muitas tentativas, ele voltava para casa sem o seu remédio, mas ia dormir sonhando que amanhã seria diferente. Deveria ser um problema de transportes, logística, enfim, alguma coisa até difícil de ser pronunciada, que fazia com que seu remédio demorasse tanto.

Às vezes, os remédios estragavam, pois não eram guardados de forma correta. Em um hospital de uma cidade chamada Cidade Nova - MG, milhares de vacinas estragaram, pois o pessoal da limpeza desligou as geladeiras onde as vacinas estavam guardadas.

Em uma capital chamada Porto Alegre (RS) acharam toneladas de remédios vencidos em aterros sanitários. Entre 2005 e 2013, mais de 50 mil quilos entre colírios, insulinas, o famoso Tamiflu da época da gripe suína H1N1, remédios contra câncer e muitos outros, foram descartados por “prazo expirado” nos almoxarifados da Secretaria Estadual da Saúde.

Auditores do Tribunal de Contas do Estado sugeriram criar uma Tomada de Contas Especial para achar os responsáveis. Pena que esta fábula seja real e isto tudo aconteça no país da falta de saúde. Também dizem que o lado bom é que teremos uma Copa do Mundo de futebol em breve neste país e o povo, sem saúde, terá muita diversão.
 


Célio Pezza

Escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra - Recomeço. www.celiopezza.com / Blog: http://celiopezza.com/wordpress/

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