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PT tem novo perfil dirigente
24/01/2014 as 18:29 h  Autor Florisvaldo Souza  Imprimir Imprimir

Conseguimos transformar paridade, cota étnica e de jovens em realidade.
Foto: Marcio Marco/FPA

O Processo de Eleições Diretas instituído no PT é a maior experiência de democracia interna posta em prática por um partido político no Brasil. E com a paridade e as cotas étnica e de jovens, o partido está demonstrando para a sociedade que é possível construir um sistema político que amplie as possibilidades de participação política com constante renovação.

Nos processos eleitorais anteriores, as chapas deviam respeitar uma cota de gênero de 30% do total de inscritos. A partir de 2013 a paridade de gênero passou a ser critério obrigatório para a inscrição das chapas, assim como a participação de, pelo menos, 20% de jovens, negros e índios.

Conseguimos transformar a cota étnica e de juventude em realidade. Durante o PED, 31.423 pessoas declararam-se negros ou negras e outras 1.498 declararam-se indígenas, totalizando 22% do total de inscritos. Houve também uma grande participação da juventude, com 30.845 jovens inscritos em chapas, o que representa 21% do total. Após a verificação dos critérios previstos pelo regulamento e da exclusão daqueles que não atendiam às regras de contribuição financeira, verificou-se na composição final das chapas 73.888 mulheres inscritas, número ligeiramente maior que o de homens inscritos (73.277).

É verdade que não foi tarefa fácil cumprir as cotas e a paridade. Há, pelo menos, 199 diretórios que devem voltar à condição de Comissão Provisória por não ter conseguido atender a todos os critérios de participação. Nesses municípios vamos precisar realizar campanhas específicas de filiação, estruturadas e com conteúdo para jovens, mulheres, negros e negras, índios e índias.

Em um balanço preliminar, não conseguimos realizar a eleição da nova direção em 1.369 dos 4.809 municípios onde tínhamos diretórios constituídos. Embora sejam municípios pequenos, com, em média, 10 mil eleitores, chama atenção o fato de que tenham bons índices de filiação.

Vale lembrar que o número de diretórios que não conseguiram cumprir a paridade e as cotas de etnia e juventude só não é maior porque foi acatado um recurso da Executiva Estadual do Rio Grande do Sul para que, nos municípios com apenas uma chapa inscrita, o PED pudesse, mesmo assim, ser realizado. A decisão da Câmara de Recursos virou jurisprudência e garantiu a constituição de trezentos diretórios municipais. O Diretório Nacional precisou rever duas vezes o Regulamento do PED, flexibilizando regras, para garantir que a reforma estatutária fosse posta em prática.

Como todo processo novo, o PED 2013 sofreu críticas e deixou claro que o partido ainda precisa melhorar sua organização, principalmente em função das novas exigências aprovadas no 4º Congresso Nacional, sobretudo nos pequenos municípios, onde o PT ainda funciona precariamente.
 
O nosso novo estatuto demanda um padrão de organização partidária que traga as direções municipais para o centro de nossas ações. É no município que as próximas campanhas eleitorais serão disputadas e é lá que vamos defender o nosso projeto democrático e popular. Por isso vamos precisar ter diretórios funcionando com maior dinamismo político e com um corpo de dirigentes preparados para dar conta da política e das tarefas do dia a dia.

Nesse sentido, a Secretaria Nacional de Organização pretende conduzir um amplo processo de estruturação partidária para provocar o dinamismo necessário para dar conta dos próximos desafios, que se iniciam já com as eleições de 2014.

Afinal, a tarefa prioritária do momento é a reeleição da presidenta Dilma, eleger governadores e governadoras e também aumentar as nossas bancadas no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas, e para isso devemos conciliar imediatamente nossas estratégias eleitorais com um projeto de organização partidária para alcançar com sucesso os resultados que esperamos para o próximo período.

Com toda essa complexidade, o PED 2013 deixa uma marca importante para o PT, que foi a mudança no perfil dirigente do partido. Não é pouca coisa uma direção com paridade de gênero, com 20% de jovens e 20% de cota étnica em todas as instâncias. Não é pouca coisa um Diretório Nacional que tenha em sua composição 41 homens e 41 mulheres, 16 jovens com menos de 30 anos e 16 integrantes segundo critério de participação étnica. Não é pouca coisa paridade e cotas em um espaço de direção disputadíssimo como a Executiva Nacional do PT, o que propiciou uma renovação de quadros políticos sem precedentes na história dos partidos.

O PT está demonstrando na prática para o conjunto da sociedade que é possível construir um sistema político inclusivo e mais democrático. Está dando sua contribuição para uma reforma política no país que abra possibilidades para transformar a atual forma de representação elitista e machista, por um sistema que amplie as possibilidades de participação política com constante renovação.

Florisvaldo Souza é secretário Nacional de Organização do PT

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