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MINTAKA, ALNILAM, ALNITAK
09/10/2013 as 08:47 h  Autor Aloisio Vilela de Vasconcelos  Imprimir Imprimir
Há muito e muito tempo, quando os deuses viviam na Terra, na época em que os relatos históricos se confundem com a mitologia existia, perdidamente apaixonados e namorando nos afrodisíacos locais desta belíssima casa que Deus nos deu para morar e dela cuidar, Órion e Ártemis, que além de excelente caçadora, manejava o arco e a flecha com extrema destreza, pois nunca errava o alvo escolhido.

Certa vez, estavam felizes caçando nas virgens florestas da ilha de Delos quando Apolo, irmão de Ártemis, que se opunha radicalmente ao namoro, ordenou que o Escorpião Celestial matasse Órion. Durante a luta, Órion fugiu para o mar e nadou com tanta rapidez, que se tornou apenas num ponto, pois percebeu que não era páreo para seu oponente. Neste ínterim, Apolo dirigiu-se a casa de Ártemis e desafiou-a a acertar aquele minúsculo alvo. Sua certeira flecha atingiu, fatalmente, o que via. Quando, na praia, percebeu quem tinha atingido, o sofrimento foi tanto que a fez rogar às hierarquias divinas superiores para que transformasse o apaixonado caçador numa constelação.

Nada mais certo, pois quando o negro véu da morte cobre quem amamos, a dor causada pela perda é tão grande que, às vezes, nos faz recusar a realidade e passar a aceitar e acreditar no impossível ou no proibido!

Entre outras, a História registra: há paixões que destrói um Império, como a de Paris por Helena; há outras que após causar uma completa revolução destroem os principais revolucionários, como a de Akhenaton por Nefertiti; há paixões em que se manda matar o marido da bem-amada, como a do rei Davi por Betsabéia; há outras em que a mulher gosta tanto do marido que chega a causar inveja aos deuses, com a de Penélope por Ulisses; há paixões que causam a morte dos escolhidos da Divindade, como a de Sansão por Dalila; há outras que só se concretizam na eternidade, como a de Romeu por Julieta; há paixões em que o imperdoável é perdoado, como a de Ximena por El Cid (Rodrigo Diaz de Bivar); há outras em que usamos todos os truques possíveis para possuirmos quem desejamos, como a de Salomão pela Rainha de Sabá; há paixões em que a maior prova de amor é dada pela renúncia ou morte, como a de Tristão por Isolda; há outras que somos desterrados da espiritualidade, isto é, morremos para o mundo e a bem-amada é morta, como a de Lancelot por Guinivère.

Ah! Benditos e felizes sejam os apaixonados! É a paixão que move o mundo! Ela é a causa de tudo! Sem paixão não há nada, pois nada tem sentido.

Portanto, você que hoje olha o céu noturno e se encanta com a beleza daquelas três cintilantes estrelas, nunca esqueça que elas ali estão para que Ártemis nunca perca de vista seu grande amor.

Esta, segundo a mitologia grega, a triste versão da origem das três belíssimas estrelas que formam o cinturão de Órion e que são conhecidas pelos nomes árabes: Mintaka, Alnilan e Alnitak.

Há, porém, outra versão para o nome dessas estrelas: a versão cristã. De acordo com esta versão, elas são chamadas de “As Três Marias”.    

Ainda discute-se se quem recebe este nome são as “Três Marias” que estavam presentes na crucifixão de Jesus ou se àquelas que se dirigiram ao seu sepulcro para ungi-Lo.   

Não sei qual a relevância dessa discussão, pois o que importa é o fato, irrefutável, da existência das três santas mulheres.

A doce e meiga orientação que recebi quando criança ensinou-me que em Lourdes pedimos saúde, em Fátima, perdão e, finalmente, amparo, proteção e amor materno quando nos prostramos diante de Nossa Senhora de Guadalupe.

Estas, para mim, são as únicas e verdadeiras “Três Marias”.

ALOISIO VILELA DE VASCONCELOS
Professor da UFAL

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