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A religião não pode pautar politicamente o Estado
26/04/2013 as 12:33 h  Autor Genaldo de Melo  Imprimir Imprimir
Somos tão diversos e tão difusos em paradigmas em nossa sociedade que sempre precisamos atender ao axioma de reconhecer as qualidades dos inconvenientes, mesmo que nos incomodem. Assim precisamos compreender que nossas opiniões não devem, e não serão jamais o centro do mundo ou verdadeiras verdades absolutas, bem como a opinião dos outros não são luzes que vão iluminar e salvar o mundo. Principalmente quando discutimos assuntos referentes ao mundo político.

Mas nas últimas semanas no Brasil uma disputa de opinião vem pautando politicamente a mídia brasileira e os setores de opinião pública. Grupos de interesses estão hegemonizando disputas, que aqueles que não oferecem resistência a raciocínio, sabem muito bem que o consolo final de tudo isso é o poder pelo poder. Aliás, sempre está na linha de frente que os fins justificam os meios. São evangélicos brigando com minorias, sem compreenderem que na democracia todos têm os mesmos direitos.

Nossa preocupação agora são os proselitismos, que maquiavelicamente nos coloca num paredão. Não podemos opinar e expressar o que pensamos sobre determinados temas em voga, porque senão seremos estigmatizados como sendo “isso” ou “aquilo outro”. Estamos chegando numa situação que é muito perigoso dizer ou defender qualquer tese, pois podemos incorrer no risco de sermos taxados de qualquer coisa que se caracteriza crime. Mas não podemos deixar de aproximar o olhar para o perigo de sermos daqui a pouco uma República governada por uma minoria impondo seus interesses para a maioria.

Parece que os evangélicos no Brasil chegaram a conclusão que devem eles próprios governar o país, principalmente depois do midiático e polêmico Deputado Pastor Marco Feliciano (PSC) assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados e causar vexames públicos com suas opiniões individuais sobre exatamente minorias que ele deveria em tese começar defender pela natureza do seu cargo.
 
Mas a coisa não começa com o polêmico deputado e seus interesses políticos. Há algum tempo determinadas e conhecidas igrejas evangélicas vem pautando politicamente os parlamentos e os espaços de discussão sobre temas públicos, colocando seus valores como se fossem absolutos. Estamos chegando num momento em que estão confundindo política com moral religiosa como se não vivêssemos num país de diversidade religiosa e política. Se não tomarmos cuidado daqui a pouco será necessário que seguidores de Maomé ou Buda deverão sair do país porque o mesmo terá dono, ou seja, exatamente as igrejas evangélicas conhecidas e seus interesses. Tenho medo disso!

Num país multicultural fatos absurdos têm sido colocados em pauta e ninguém vem observando de perto isso. Vejam que em Vila Velha (ES) colocaram e aprovaram um projeto de lei no mínimo ridículo, ou seja, obrigando as mulheres a casarem de calcinha, como se elas tivessem a obrigação de mostrar na igreja no momento do enlaço matrimonial suas partes íntimas para provar que estão com a vestimenta em questão. Em Ilhéus (BA) aprovaram um projeto obrigando as crianças a rezarem o Pai Nosso nas escolas públicas, quando o Estado é laico. Em Passo Fundo (RS) na Câmara de Vereadores antes das sessões legislativas é obrigado por lei ler trechos bíblicos, como se não houvesse condições de existir naquele espaço um vereador de outra denominação religiosa. Em Feira de Santana (BA) é proibido beber em bares na sexta-feira da paixão, porque tem gente que não gosta de cerveja. Ou seja, a religião está pautando o Estado e o Estado não pode pautar a religião. É perigoso isso, pois onde está a liberdade de expressão religiosa propriamente dita?

Pelo que vemos em períodos recentes a Associação de Parlamentares Evangélicos do Brasil (APEB) vem incentivando em todos os cantos desse país a criação de Frentes de Parlamentares Evangélicos (FPE’S), seja nas câmaras de vereadores, seja nas assembleias legislativas e daqui a pouco na Câmara e no Senado. Qual é mesmo o interesse disso? Fundamentalismo religioso sempre foi perigoso na história e não deu em nada de bom em lugar nenhum e a história que é segundo o homem de Florença a prova dos nove, está ela aí mesmo para comprovar, inclusive no nosso tempo.

Para quem não é cego politicamente sabe muito bem que alguns grupos religiosos vêm perigosamente colocando seus interesses políticos em primeiro lugar e que os interesses da diversidade cultural e religiosa desse país que se dane!

Religião e política não podem ser confundidas como sendo uma coisa única. Religião é religião e política é política, mesmo que religiosos participem da política porque isso é democracia.

Por Genaldo de Melo

Fonte: http://genaldo40.blogspot.com

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