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Equidade de gêneros por um mundo melhor
06/03/2013 as 11:58 h  Autor Renata Pereira  Imprimir Imprimir
Mais um dia 8 de março está chegando. E com ele, invariavelmente as anuais discussões e debates sobre a importância do sexo feminino na sociedade e a persistente desigualdade entre homens e mulheres. O Dia Internacional da Mulher, comemorado mundialmente, é certamente o melhor momento para esse tipo de reflexão. A data remonta ao distante ano de 1911, quando um incêndio em uma fábrica nos Estados Unidos matou 129 trabalhadoras. É importante valorizar as conquistas obtidas ao longo desses 102 anos, fruto do esforço e de muita luta de movimentos sociais, ONGs, mulheres guerreiras, e, mais recentemente, de empresas e governos, que começam a estabelecer políticas de promoção da equidade de gênero. Entretanto, a persistência da desigualdade e do preconceito contra as mulheres é uma característica ainda muito presente em nossa sociedade.

Estudo da consultoria americana Booz & Company coloca o Brasil na 46ª posição em um ranking de 128 países que mede o nível de igualdade entre homens e mulheres. Na lista, feita com base em indicadores socioeconômicos, estamos na frente da China e da Índia. Não deixa de ser uma colocação regular, porém, ainda há um longo caminho a percorrer, tanto nacional quanto globalmente.

Estudos conduzidos pela ONG CARE Internacional apontam que a discriminação de gênero está entre as maiores causas da pobreza. Hoje, 1,3 bilhão de pessoas vive em situação de miséria, sendo maior percentual composto por mulheres. Para essas mulheres, a pobreza não é apenas uma questão de escassez ou necessidade, é uma questão de negação de direitos, de oportunidades reduzidas e de falta de voz.

Trabalhar para a equidade de gênero, além de ser uma forma eficiente de lutar contra a pobreza, significa lutar pela garantia e pelo cumprimento dos direitos humanos das mulheres. Todas as evidências colhidas pela ONG mostram que em sociedades onde há mais igualdade entre homens e mulheres, seus cidadãos apresentam melhores condições de saúde e educação.

No Brasil, apesar de as mulheres terem maior nível de escolarização – com média de 7,5 anos de estudo, frente a 7,1 anos dos homens –, elas ganham 30% menos. As mulheres são, ainda, a maioria da população sem nenhum rendimento, segundo dados de 2012 da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal).  Enquanto 16,5% dos homens estão nessa situação, entre as mulheres, esse percentual chega a 30,5%. A mesma instituição demonstra que, na América Latina, a cada 10 homens em situação de pobreza, há 12 mulheres na mesma situação.

Outro problema que afeta de maneira gritante as mulheres brasileiras é a violência. Estudo da ONU-Habitat de 2012 afirma que o Brasil é um dos países com a mais alta taxa de feminicídio - todos os assassinatos de mulheres relacionados à violência de gênero - do mundo, ficando na 11ª colocação na América Latina.

Este panorama demonstra que a equidade de gêneros precisa se tornar realidade. Porém, não pode se limitar a simplesmente melhorar a renda de mulheres ou permitir que elas passem a participar da renda familiar. Para que a igualdade efetiva seja atingida, é preciso que haja transformação em três diferentes âmbitos: na capacitação e no aumento de habilidades das mulheres; nas normas sociais, costumes, instituições e nas políticas que moldam as escolhas e oportunidades femininas e; nas relações de poder que influenciam suas vidas. Promover uma mudança cultural tão grande assim é trabalho árduo e depende do envolvimento de homens e mulheres; da criação de espaços de diálogo para o estabelecimento de novos acordos; da redefinição da forma como o trabalho dentro e fora do lar está distribuído; e dos papéis tradicionalmente atribuídos aos gêneros.

Para que testemunhemos essa mudança na sociedade, ou seja, para que efetivamente haja a equidade de gêneros, é necessário promover o verdadeiro empoderamento das mulheres. O primeiro passo é combater o preconceito e reconhecer que a mulher é um agente transformador em seu lar, em sua cidade, em seu país e no mundo que a cerca. O que está em jogo, aqui, não é apenas honrar uma centena de trabalhadoras mortas tragicamente durante um protesto, uma data comemorativa ou simplesmente encampar o modismo do politicamente correto. Mais equidade e, sobretudo, valorizar as mulheres é o que vai nos garantir um mundo melhor, a partir de agora e para as próximas gerações. Não existe objetivo mais importante do que esse!
 
Renata Pereira é diretora-executiva da ONG CARE Brasil (www.care.org.br)

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