Novoeste on-line - Onde o Oeste da Bahia é Notícia
> Principal > Artigos > Pauta Livre > A contrarrevolução de uma blogueira
 
A contrarrevolução de uma blogueira
04/03/2013 as 10:19 h  Autor Julio Cesar de Castro  Imprimir Imprimir
Nunca morrem os homens de cérebro, aqueles que têm a penetração filosófica das grandes causas, que sobem, pela ideia, às maiores alturas, de onde, se caem, é pela vertigem que lhes causa a luz, a zona infinita do éter. (João da Cruz e Souza (1861-1898)

É próprio do capachismo, dos que servem à contrarrevolução, geralmente desprovidos de elevação política e de energia ideológica, promover o aniquilamento moral de uma nação. Não mensuram sequer a história e a cultura, galgadas na luta transformadora de sua pátria. Só se consomem os neurônios de perversidade e de miséria, quando o mundo hodierno se vê às voltas com a superconcentração do obeso capital predatório. Quando, sobremaneira, à amplitude por satélites, acende a universal consciência social, também aversão ao imperialismo estadunidense. E, nem com todo o modus operandi de cooptar e subornar mercenários, os governos norte-americanos têm contido a reação dos povos oprimidos.

Na devida proporção, sem embaraço da dúvida, de todas as revoltas do século passado, a revolução cubana é a que, memorável láurea dos seus mártires, mais afrontou o poder dos Estados Unidos. Sobretudo, por resistir, à veia da paixão, com os olhos da dignidade e excelência em educação e saúde públicas, ao odioso bloqueio imposto à Ilha. Quem mais ousou direcionar mísseis tão próximos aos olhos de Kennedy? Que lideranças revolucionárias sobreviveram à lista negra da CIA? Ora, nessas seis décadas de socialismo naquele pequeno território de 110.922 km², onde o fantasma de invasão pela maior nação armipotente inquietou o governo dos Castro, a imprensa internacional estampou em suas manchetes todo tipo de atrocidade contra nações soberanas; mormente, as “democracias” de conflitos sociais na América Latina e a estultícia primitiva no Oriente Médio (sempre sustentada pelo Pentágono). A imposição e manutenção do Estado de Israel, governado por insanos paus-mandados da Casa Branca, para infernizar os povos do entorno; mas que os judeus civilizados desaprovam a violência contra palestinos.

Não nos esqueçamos, jamais, da bruteza atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, da imundície contra o Vietnã, da cafrice que rachou a Coreia, dos traumáticos golpes de Estado nos anos de 1960/70, planejados pelos EUA e executados por entreguistas fardados no Brasil, no Chile, no México e na Argentina, para o “equilíbrio” das economias opressoras. Não, não nos deixemos claudicar, nem por um átimo das pestanas, que a cumplicidade de governantes e a falta de resignação coletiva dos que produzem a riqueza nacional caracterizam hoje a vulnerabilidade econômica destes países latino-americanos. Até porque não têm estruturas de reação estratégica, diante de possíveis investidas dos expropriadores belicamente arrogantes. O perigo está a fumo dos fatos internacionais. Assim, quando os cogumelos de fogo caem sobre as cabeças de civis, muitos politicantes que se definem “da esquerda” imitam a raposa do desenho animado: “Oh, céus! Oh, vida!... Saída pela direita”.

Talvez, um dos pecados da revolução cubana seja não ter investido e levado a prumo um plano audacioso de seleção, formação política e de preparação técnica às lideranças anticapitalistas dos principais países deste continente, como almejou o visionário Che Guevara (embora o erro tático na aceitação da medalha ao mérito por Jânio Quadros e tentativa de mobilização na Bolívia). Se tivesse, a inteligência política cubana, medido melhor as consequências dos golpes de Estado e, sagazmente, proporcionado condições de organização de resistência pontual nas regiões sul e sudeste do Brasil, consideradas as peculiaridades locais, talvez o êxito dos revolucionários chegasse aos ares de libertação ampla. Ao invés de investir nos zé-dirceus da vida, a luta contra nosso oficial inimigo em comum talvez anulasse os efeitos do bloqueio a Cuba.

Se Fidel Castro, tenaz comandante, respeitada sua atual decrepitude e íntegra lucidez, ainda representa o símbolo de liderança e tradição em seu país, melhor fosse ao regime imprimir o conceito de que a revolução está acima de idolatria e de valores individuais. O ardor da eloquência só se sustenta nos ideais de transformação contínua. A revolução é mais do que todo um processo de evolução no espaço e no tempo: traz no seio dos fortes o DNA da civilização e o espírito de Liberdade. Mais consistente à revolução, em face de intempéries das adversidades, é resistir com o exército de cidadãos leais e politizados, atentos às armadilhas capitalistas, que implicam em retrocesso. A iminente falta de Fidel não poderia fraquejar a revolução nem subjugar o povo cubano aos arrotos de Washington. Cuba não está isolada nesta luta: há outros países que a apoiam. Amemos a revolução de Cuba! E que a transição para outro governo assegure hasta siempre a soberania e a grandeza da nação. Sabe-se que significativas e rápidas mudanças estão em curso pelo governo socialista, objetivando o pleno desenvolvimento da Ilha.

Com o advento da comunicação online, internautas de toda matiz, de dígitos a dólar, investem contra governos diversos. Todavia, há que se distinguir tirania a mando de elites da de liderança pelo povo. Pois então! Yoani Sánchez não poderia ter sido mais infeliz ao escolher o Brasil para “denunciar a falta de democracia” em Cuba. Acaso sabe ela de que, secularmente, a sina na terra à vista das naus é de ditadura da escravidão e da opressão? Tivesse essa tempestuosa crítica nascido na árida vida do nordeste das oligarquias (cuja mortalidade infantil chegou a 45% e o índice de analfabetismo chegou a 33% da população em 2000), alcançaria estudos de qualidade? Se formada em jornalismo pelo Prouni, teria autonomia de expressão, e expressão panfletária, nas principais mídias patrocinadas por multinacionais e políticos de rapina? Ainda, se nesses dias em que percorreu cidades brasileiras se sentisse mal e enfrentasse a via-crúcis do SUS, então refletiria a medicina cubana? Por que não diz que Cuba socorreu as vítimas da catástrofe do Haiti, enviando, solidariamente, 2.700 médicos? Que Cuba é vanguarda nos estudos de cura da AIDS?

O que ela conhece da alternância de poder privatizante entre tucanos e petistas, de casas-grandes e de urbessenzalas, de desmando e impunidade à brasileira? Do comércio de sentenças por “marginais de toga”? De “punições” a maus magistrados com aposentadoria compulsória sem perda de vultosos vencimentos? Passou-lhe pelo juízo se Havana tolerasse o escárnio de Sarney, Collor, Calheiros, Genoíno e demais fajardos do bem público? Yoani tem noção do que é agora aquela UNE de rebeldes sequestradores do cônsul americano? A ingrata visitante sentiu abraços de amigos da onça do sindicalismo em São Paulo? A que termos ela descreve essa democracia brasileira, de voto obrigatório, ao rumo de eleitores e eleitos de pouca instrução política? E que nosso parlamento federal possui, dentre Suas Excelências, um célebre profissional palhaço – debochado Tiririca, tímido Francisco Everardo (o mais votado, que inspirou outro truão nas recentes eleições italianas)?

Alertaram tal blogueira que o número dos que não sabem ler aqui supera toda a população cubana (alfabetizada!)? E que o Brasil amontoa aproximadamente 700 mil pessoas encarceradas, em más condições de ressocialização? E que transtornos psiquiátricos atingem 25% dos brasileiros, incluindo adolescentes? E que o número de jovens dizimados pelo tráfico neste país “abençoado por Deus” é de assanhar carnífices mafiosos? E que o nosso modelo de distribuição de renda traduz-se à mera Bolsa-Família? E que nossa Previdência Social premia com salário mínimo 80% de seus beneficiários? E que a felicidade da nossa massa anestesiada mantém-se a bebida, a drogas psicotrópicas, a carnaval e a futebol, senão a promessas de bem-aventurança no Céu? E que a boa-vida de gala neste paraíso verde-amarelo nunca paga imposto sobre fortunas?

É certo de que o debate caloroso e equilibrado contribui à florescência de grandes ideias. Que a vida humana é inerente à dinâmica do Universo. Que a humanidade já pagou caro o preço da “desobediência” no Éden e por furtar a luz de Zeus, bla-bla-blá, mal-e-mal... E que breve o Vaticano dos escândalos cairá em ruínas como o Império Romano. Muito certo que a revolução digital deva se estender a todos os recantos do Planeta. Que se almeje tecnologia de ponta também em Cuba, para superação do argumento de “bloqueio”; e que o Deus da Misericórdia não permita a síndrome do consumismo perverter a juventude do país. Certíssimo que socialismo pressupõe liberdade e igualdade de vida à luz do horizonte.

Mas, se essa xereta de problemas, supostamente a serviço da CIA, subestima ativistas e simpatizantes do regime cubano, melhor que se contenha na advertência do seu superego. Ou, se ela domina bem a arte cênica, deveria é propor erguer uma estátua de Fulgêncio Batista em lugar reservado a “ilustres” no Congresso Nacional brasileiro, com direito a discursos inflamados de Paulo Maluf e Jair Bolsonaro, arautos dos milicos, sob os aplausos da bancada reacionária.

Veja aqui, Yoani Sánchez! Nem todos os formadores de opinião brasileiros têm olhos e ouvidos de basbaque para dar-lhe holofotes da fama. Quando, enfim, mesmo à meia-máscara da cara-de-pau, se aperceber dos malefícios do capitalismo (que, a exemplo de tantos/as mercenários/as, após serem usados, são imperdoavelmente eliminados), certamente, trataria com zelo da sua imediata torna-viagem a Cuba, nem que seja num bote de salva-vidas.

Por Julio Cesar de Castro presta assessoria técnica em Construção Civil.
E-mail: jota.castro(0)yahoo.com.br

Comente via Facebook
Mais Artigos
No h comentrios.
img
img
RSS  Artigos Artigos

Embora pensada para se opor à polarização entre direita e esquerda nas eleições presidenciais, a candidatura de terceira via, se ocorrer, favorecerá Lula e atrapalhará Bolsonaro. Por natureza, o eleitorado de esquerda comparece incondicionalmente às urnas e vota no candidato da tendência, mesmo...
Em evento de filiação ao Podemos e com discurso político, Sérgio Moro traz à tona sentimentos e projeções variadas acerca de seus objetivos políticos. Símbolo maior da Operação Lava Jato quando juiz, superministro do Governo Bolsonaro, trabalhador da iniciativa privada nos EUA, enfim, uma trajetória já assaz atribulada nos últimos anos e, agora, uma pré-candidatura, ao que tudo indica para a Presidência, em 2022, mas não...
O partido que desfralda a bandeira da socialdemocracia e adota um tucano como símbolo, o PSDB, está em frangalhos. Quando foi criado em 1988 era a esperança de o país pela trilha de uma nova política, amparada no conceito do Estado comprometido com o bem estar social e aberto aos...
O cipoal de leis que restringe a liberdade individual deve ser censurado. Característica principal dos sistemas socialistas anacrônicos e até mesmos dos híbridos, a hegemonia de leis que restringe a liberdade individual vem contaminando o progresso geral. A liberdade é instrumento de construção e de evolução meteórica mais consistente dentro dos sistemas viáveis de construção da sociedade humana. Os dois caminhos experimentados pelas...
A Caridade é o centro gravitacional da consciência ideológica, portanto, educacional, política, social, filosófica, científica, religiosa, artística, esportiva, doméstica e pública do Cidadão Espiritual. Desse modo, se o ser humano não tiver compreensão dela, deve esforçar-se para entendê-la, a fim de...
img
img
img
PUBLICAÇÕES RECENTES
img




img



img
img
img
CASAS img LOTES img FAZENDAS
img
CHÁCARAS img PRÉDIOS COMERCIAIS img GALPÕES
img
RSS  Dicas de Leitura Dicas de leitura
img
Ambientado em uma comunidade japonesa de São Paulo, lançamento ficcional da escritora Juliana Marinho promove o poder da música como intervenção para cura de doenças. A musicoterapia, união da arte e saúde em busca da reabilitação ou promoção do bem-estar, é a responsável...
Por meio da personagem Malu, as escritoras e letrólogas paulistas Nanda Mateus e Raphaela Comisso dialogam com as crianças sobre diversidade familiar e desmistificam a homoparentalidade. Nanda Mateus trabalha com educação e inovação em tecnologias para...
Existem músicas para os momentos felizes, tristes e até aquelas que marcam datas especiais, mas para Melody King é diferente: as canções são uma consequência — infelizmente incontrolável — de uma rara doença. As dificuldades em lidar com as embaraçosas situações,...
img
img
RSS  Top Vdeos Top Vídeos
img
Thumbnail
img
img
img
RSS  Classificados Classificados
img
img
img



RSS GOOGLE + YOUTUBE TWITTER FACEBOOK