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Desinformação, má gestão, e indiferença pelo Turismo Receptivo do Brasil
17/12/2012 as 17:07 h  Autor José Queiroz  Imprimir Imprimir
A indústria turística mundial é dividida em dois grandes e diferentes setores: o Exportativo, ou Emissivo, que vende passagens, hotéis, resorts, cruzeiros e pacotes, é formado pelas agências de viagens e operadoras. No caso do Brasil, estão agrupadas na ABAV – Associação Brasileira de Agências de Viagens - com todo o apoio do governo. O país é excelente neste setor! O outro é o Receptivo, especializado no perfil cultural e idiomas, recepção, condução e alojamento de turistas, na administração, conservação e visitação dos atrativos, e nas condições de equipamentos, logística e infra-estrutura das cidades: formação de mão de obra, mobilidade, sinalização, limpeza, iluminação, segurança e assistência médica.

O Receptivo é mais abrangente, absorve mais pessoas, e beneficia mais as cidades. Nele estão os profissionais de turismo que concretizam sonhos e vendas com conhecimentos culturais e técnicos. No outro estão os vendedores. Mas, o grande volume de dinheiro que circula no Exportativo, pelas mais diferentes vias, conseguiu inverter a importância dos dois setores. Nem se escuta o Turismo Receptivo, faz-se o que o Emissivo decide, através de Conselhos que aconselham a parceria pública com seus membros.

A desinformação de governantes é proposital e encoberta por diferentes tipos de mídias. A oficial, a serviço do privado; a “especializada” na atividade, que vive da propaganda e notícias privadas e públicas, “desconhece” os problemas do setor e dos atrativos, e não cobra responsabilidade social e cultural de seus patrões assinantes; e os grandes veículos, sem jornalistas especializados, que ganham para publicar o que lhes apresentam, inclusive trabalhos acadêmicos que endossam políticas governamentais equivocadas ou tendenciosas, com teses e estatísticas discutíveis.

O Turismo é a “galinha dos ovos de ouro” do neoliberalismo, que não “liberou geral” neste setor. O Estado, que deveria ficar fora dos negócios, está mais negociante do que nunca. A tal desregulamentação pregada por acadêmicos a serviço do Ministério do Turismo é eufemismo para manter as diversas categorias de trabalhadores desorganizadas, sem órgão de classe, sem representação e sem força política. O Brasil não tem Conselho Federal de Turismo, a atividade está atrelada à Administração, não tem Associação Brasileira de Turismo Receptivo, não regulamenta a inserção de seus turismólogos no mercado de trabalho, nem o Ministério do Turismo fiscaliza nada!

Não é comum pessoas fazerem turismo em suas cidades, e questionam, ‘o que o turista faz aqui?’ Mas, é comum vê-las surpreendidas pela história ou origem de seus atrativos e manifestações divulgados por diferentes meios: História, Literatura, Cinema, Publicidade, e os vendedores do Turismo, que atraem interessados, apesar de não cuidar deles. O Turismo ocupa a maioria das pessoas em alguns lugares, havendo cidades que dependem e cuidam dele como “tábua de salvação”. Entretanto, em metrópoles como Salvador, Rio, e outras, a maioria das pessoas trabalham em setores tradicionais da economia, e são desinformadas e indiferentes ao Turismo, seu potencial e necessidades.

Acontece que o Turismo fomenta várias atividades, gera negócios, empregos, impostos, salários e consumidores, diminui o desemprego, inadimplência e a violência. Sem falar nos benefícios culturais gerados pela necessidade de formação adequada, conhecimento de idiomas, interação com turistas de diferentes lugares do mundo, e difusão do potencial cultural e econômico da região. Muitos apartamentos e casas, carros, e outros bens, deixaram de ser vendidos em Salvador nos últimos anos. Jovens foram retirados das escolas e universidades particulares, e restaurantes tiveram seu movimento diminuído pela ruína do Turismo de Salvador. Ou seja, o problema é de todos!

A falta de informação fornecida pela mídia, e do interesse e discussão pela sociedade, deixa o Turismo a mercê de gestores a serviço de grupos econômicos e partidos políticos, comprometendo toda a cadeia, principalmente o Receptivo. A desinformação é geral, pois um setor não inviabiliza o outro. O mesmo operador e governante que ganha com um único produto poderia ganhar mais aprimorando a infra-estrutura, oferecendo o que atrai o turista, incrementando seus negócios. O problema é que alguns ganham fácil com o aval de empresários desinformados em instituições mal intencionadas, manobras políticas, e dinheiro do contribuinte. Trabalhar, para quê?

As intenções anunciadas pelo novo prefeito demonstram o poder mantido pelos partidos do governo do Estado, PT, e o do secretário de turismo da Bahia, PSB, apesar do péssimo histórico dos dois. Domingos Leonelli anunciou várias obras que não se concretizaram - muitas inúteis para o Receptivo! – o dinheiro sumiu e ninguém cobrou, e por último promete alguma coisa no meio da merda, dos “cracudos”, e da indigência crônica e perigosa da Praça Castro Alves, aonde baiano nem turista vai. O Carnaval não interessa ao Receptivo, são 15 dias de prejuízos, mas os únicos beneficiados - governo, artistas e Conselho Baiano de Turismo - querem dois Carnaval em 2014.

A dominação política, a medíocre produção artística dos últimos anos e a incompetência dos gestores do Turismo da Bahia passou dos limites, envergonham os pioneiros, ícones, e profissionais dessas áreas. A incapacidade deles é associada a todos os profissionais! O povão talvez não saiba de algumas coisas, mas intui que “algo não está batendo”. O Brasil, o mundo, o investidor, e o possível turista, já sabem que Salvador não é a mesma e esperam ações que atendam seus interesses, não promessas ou “inventoses” que deslumbram uns, enriquecem outros, mas não atraem.

É compreensível a desinformação, a insegurança para discutir, ou a indiferença da sociedade Mas, é inadmissível que partidos políticos e gestores no mundo “neoliberalista”, conhecedores do Turismo, continuem com a má gestão, esnobando a atividade, subestimando potencial, conhecimentos e capacidades, desdenhando necessidades, reclamações e cobranças, protegendo seus parceiros, e prejudicando milhares de pessoas que podem ajudá-los a ganhar dinheiro, prestígio político, e votos. Basta entender que a matéria prima do Turismo é a Cultura, não o faz de conta!

Por José Queiroz

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