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Cada um dá de acordo com a sua capacidade de doar
30/10/2012 as 17:04 h  Autor Evaldo Costa  Imprimir Imprimir
As vezes tenho a sensação de que a nossa evolução como seres humanos não consegue acompanhar na mesma proporção a evolução científica e tecnológica. Você já parou para pensar nisso?
 
Veja quantas coisas mudaram no último século. Saímos do lombo de burros para desembarcar na lua. Inventamos o computador, desenvolvemos as telecomunicações e conectamos o mundo pelo aparelho de celular.Com a internet disponibilizamos a informação on-line, superamos a barreira do som, retiramos petróleo de águas profundas, instalamos estação espacial e vivemos por quase dois anos fora da terra, colocamos sondas em outros planetas e recebemos e processamos informações delas, evoluímos na ciência e tecnologia como nunca antes.
 
Estamos vivendo mais e melhor graças a toda essa evolução, mas isso não significa dizer que superamos as grandes lacunas que existem em nosso interior. De alguma forma, continuamos presos à antigos e perversos princípios os quais nos recusamos a abandonar. Como explicar pais abandonando filhos no lixo, marido e mulher tirando a vida um do outro com elevado grau de crueldade, filhos matando os seus entes queridos por dinheiro, pessoas se fantasiando de amigo para tirar proveito da boa fé alheia etc.
 
Será que como seres humanos nos desenvolvemos na mesma proporção ou continuamos os mesmos egoístas de outrora? Será que somos mais generosos ou continuamos do tipo que quer levar vantagem em tudo? Ao sermos afrontados, procuramos entender e aliviar a dor do próximo ou reagimos e pagamos com a mesma moeda?
 
Esta semana li uma informação divulgada pela agência de notícias Reuters, sobre um homem nepalês que foi mordido por uma serpente e retrucou na mesma moeda, matando o réptil com os próprios dentes. O jornal nepalês Annapurna Post informou que o sobrevivente Mohamed Salmo Miya perseguiu o réptil, que o mordeu em seu arrozal, alcançou o animal e o mordeu até que ele morresse. Claro que como você, achei essa notícia fantasiosa, mas foi real e retrata bem do que somos capazes.
 
Então, se podemos algo assim, é natural que reunimos as condições necessárias para sermos iguais, compadecidos, fraternalmente amigos, humildes e amáveis, não é mesmo? Afinal de contas, o que estamos fazendo com a herança do bem? Como sabemos, aquele que ama a vida e deseja viver dias felizes, deve afastar-se do mal, praticar a benevolência e perseguir com perseverança a paz interior.
 
Uma vez, li uma história que nunca mais esqueci. Relatava um fato ocorrido quando a Alemanha era dividida pelo Muro de Berlim. Contava que um belo dia, alguns dos berlinenses orientais decidiram enviar um caminhão com lixo, tijolos quebrados, pedras e qualquer outra coisa sem valor para os que viviam do lado ocidental.
 
Então, levaram o caminhão até a fronteira e despejaram toda a sujeira do outro lado.  Naturalmente, a população ocidental ficou furiosa e disposta a se "vingar" com a mesma moeda.  Felizmente, um homem muito sábio interveio e deu um conselho totalmente diferente. Como resultado, eles carregaram um caminhão com alimentos, roupas, calçados, suprimentos médicos e uma série de outros itens necessários e escassos do lado oriental. Aproximaram-se da fronteira e cuidadosamente descarregaram tudo com um bilhete dizendo: "Cada um dá de acordo com a sua capacidade de doar."
 
Diante desta atitude, você acha que os berlinenses orientais sentiram ódio ou gratidão? É bem provável que tenham ficado um pouco constrangidos com as suas próprias atitudes, não é mesmo?
 
Então, da próxima vez que você for atacado por alguém, “mate-o com bondade.” Prove que você  é uma espécie melhor, mais generosa e disposta a construir mais pontes e destruir muros.
 
Pense nisso e ótima semana,
 
Evaldo Costa. Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil

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