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Um veto para o desenvolvimento
26/09/2012 as 17:41 h  Autor Petrônio Souza Gon&ccedi  Imprimir Imprimir
Historicamente, os mineiros sempre lutaram pela preservação de seus recursos naturais e por ganhos justos advindos da extração deles. Os emboabas representaram isso. Tiradentes é o mártir desse tempo. Depois, o governador de Minas e presidente do Brasil Arthur Bernardes, juntamente com seu secretário de Estado e ministro Clodomiro de Oliveira, assumiu a mesma luta, preservando, sobretudo, as nossas jazidas minerais e a visão de uma exploração criteriosa e consciente delas.

Nos últimos anos, uma verdadeira cruzada política tem pautada as ações dos mineiros, tudo pela revisão dos irrisórios royalties pagos pela extração do minério de ferro e a ausência de uma política minerária em nosso país. Soma-se a isso os vários projetos de lei versando pela criação do Marco Regulatório do Minério, nos mesmo moldes que vigora o do Petróleo. No entanto, nada de verdadeiramente concreto chegou à sanção presidencial alterando essa realidade de séculos e séculos de submissão e espoliação ao estado de Minas Gerais.

Agora, somos surpreendidos pelo veto da presidente Dilma Roussef, mineira de nascimento e formação, com a aquiescência do ministro Fernando Pimentel, à emenda 66, que corrigiria, de uma certa forma, essa política perversa que se faz contra Minas Gerais e, consequentemente, ao cidadão mineiro. Essa mesma emenda, se aprovada, injetaria em nosso Estado e municípios mais de R$300 milhões. Esse é o recurso que falta para ser destinado à educação, à saúde, segurança pública; é por esse dinheiro que se criou uma inconfidência... Ao ver essa atuação dos mineiros que estão divisando a política nacional hoje, nos faz lembrar mais de Joaquim Silvério dos Reis do que Tiradentes. Depois de tudo, nós não merecíamos esse tratamento, Minas Gerais não merecia tanta indiferença. Será que foi para isso que eles pegaram em armas na juventude, para garantir o privilégio da iniciativa privada contra o direito de todos?

Enquanto isso, as mineradoras continuarão, como sempre fizeram, levando nosso mineiro in natura para além-mar, nos deixando apenas um buraco em nossa paisagem, em nossas estradas, em nossos corações, e quase nada como compensação pelo seu mal diário. Só a prefeitura de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, receberá, neste ano, R$ 1 bilhão advindos dos royalties do petróleo. Minas Gerais, o estado inteirinho, receberá não mais que R$ 250 milhões com toda a atividade minerária exercida aqui no ano inteiro. Fica no ar uma estranha certeza de que a exploração sem critérios e seus impostos justos compensa.

A presidente Dilma Rousseff perdeu a chance de fazer história, de representar no poder federal o que ela e seu governo não representam em nossa pobre vida diária, até hoje.

Adiar qualquer decisão que vá ao encontro das ações, anseios e reivindicações do povo das minas gerais, pessoas que diariamente convivem com as agruras da prática da mineração durante séculos e séculos, é ignorar a história e a espoliação que submeteu o Estado quando mártires deram a vida por um sonho, um sentimento de nação, uma consciência cívica de cidadãos comprometidos em mudar e melhorar a sua realidade, integrados às suas causas e reivindicações.

Ao que se constata hoje, pelas ações e conduta de seus coestaduanos, o sacrifício deles foi em vão.
 
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor

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