Novoeste on-line - Onde o Oeste da Bahia é Notícia
> Principal > Artigos > Pauta Livre > Dilma, privatizando...
 
Dilma, privatizando...
17/08/2012 as 18:24 h  Autor tenente dirceu  Imprimir Imprimir
Depois de pelo menos 10 anos de críticas do PT sobre as privatizações ocorridas na era FHC, a presidente Dilma dá uma guinada em busca de parceiros privados para o investimento em infraestrutura. Ainda dentro da idéia de que não vai se desfazer do patrimônio público para fazer caixa, a presidenta anunciou o PIL (Programa de Investimento em Logística), que aplicará R$ 133 bilhões em ferrovias, rodovias, portos e energia. Reservado o viés ideológico, o programa conta com o apoio e o entusiasmo até dos tucanos. Dilma enfatiza suas diferenças e a tucanada chama a atenção para a convergência com as privatizações de FHC. Para a sociedade, pouco importa  a paternidade do formato, desde que ele atenda aos interesses nacionais, que sempre devem estar acima dos políticos e de seus partidos.

Ao buscar a parceria privada, convencido de sua importância e despido de suas reações políticas, o atual governo desce do palanque ideológico e parece estar rumando para a modernização do Estado. A prática do Estado-empresário é característica dos regimes de esquerda que ruíram com o fim da União Soviética. O Brasil sempre teve um sistema híbrido, que se justificava na época de indução ao desenvolvimento. A economia nacional, que se organizou desde o final do império e abolição da escravatura, teve início com investimentos privados nacionais e estrangeiros em ferrovias, eletricidade e outros setores básicos. Para alavancar o progresso e ter controle estratégico, o governo passou a aplicar nesses setores, construindo sistemas telefônicos, usinas hidrelétricas, ferrovias e depois rodovias. Com o passar dos anos e a instabilidade política tanto externa quanto interna – entre 1914 e 44 o mundo viveu as duas guerras mundiais – todo o setor acabou estatizado e assim funcionou até os anos 90, quando ocorreram as privatizações de FHC.

Assim que assumiu, Lula encarnou a política antiprivativista defendida pelo seu partido e hoje existem avaliações tanto negativas quanto positivas sobre a transferência do patrimônio público para o setor privado. As estradas paulistas são citadas como o ponto positivo, assim como os bancos estatais vendidos e a telefonia. Ainda patinam as ferrovias e há dúvidas sobre o setor energético. A nova política de Dilma tem tudo para dirimir dúvidas e colocar nos eixos aquilo que ainda tem problemas e sofre falta de continuidade.

Num país onde a infraestrutura básica já está implantada e em funcionamento, mesmo que com problemas, não há razão para o Estado ainda se manter como empresário operador. O mais aceitável é que atue como poder concedente e fiscalizador. Sua missão deve ser a de induzir ao investimento, buscar parceiros competentes no setor privado e fiscalizar rigorosamente a prestação do serviço. Essa fiscalização, a bem da verdade, tem sido insuficiente e causa principal da má qualidade de serviços. O país precisa que todas as reguladoras sejam exigentes e façam valer os contratos.

Dilma não deve dar atenção às críticas. Se conseguir exorcizar os fantasmas que o PT lançou sobre as privatizações e torná-las eficientes, seu mandato terá valido a pena e passará marcado positivamente para a história...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

Comente via Facebook
Mais Artigos
No h comentrios.
img
img
RSS  Artigos Artigos

Embora pensada para se opor à polarização entre direita e esquerda nas eleições presidenciais, a candidatura de terceira via, se ocorrer, favorecerá Lula e atrapalhará Bolsonaro. Por natureza, o eleitorado de esquerda comparece incondicionalmente às urnas e vota no candidato da tendência, mesmo...
Em evento de filiação ao Podemos e com discurso político, Sérgio Moro traz à tona sentimentos e projeções variadas acerca de seus objetivos políticos. Símbolo maior da Operação Lava Jato quando juiz, superministro do Governo Bolsonaro, trabalhador da iniciativa privada nos EUA, enfim, uma trajetória já assaz atribulada nos últimos anos e, agora, uma pré-candidatura, ao que tudo indica para a Presidência, em 2022, mas não...
O partido que desfralda a bandeira da socialdemocracia e adota um tucano como símbolo, o PSDB, está em frangalhos. Quando foi criado em 1988 era a esperança de o país pela trilha de uma nova política, amparada no conceito do Estado comprometido com o bem estar social e aberto aos...
O cipoal de leis que restringe a liberdade individual deve ser censurado. Característica principal dos sistemas socialistas anacrônicos e até mesmos dos híbridos, a hegemonia de leis que restringe a liberdade individual vem contaminando o progresso geral. A liberdade é instrumento de construção e de evolução meteórica mais consistente dentro dos sistemas viáveis de construção da sociedade humana. Os dois caminhos experimentados pelas...
A Caridade é o centro gravitacional da consciência ideológica, portanto, educacional, política, social, filosófica, científica, religiosa, artística, esportiva, doméstica e pública do Cidadão Espiritual. Desse modo, se o ser humano não tiver compreensão dela, deve esforçar-se para entendê-la, a fim de...
img
img
img
PUBLICAÇÕES RECENTES
img




img



img
img
img
CASAS img LOTES img FAZENDAS
img
CHÁCARAS img PRÉDIOS COMERCIAIS img GALPÕES
img
RSS  Dicas de Leitura Dicas de leitura
img
Ambientado em uma comunidade japonesa de São Paulo, lançamento ficcional da escritora Juliana Marinho promove o poder da música como intervenção para cura de doenças. A musicoterapia, união da arte e saúde em busca da reabilitação ou promoção do bem-estar, é a responsável...
Por meio da personagem Malu, as escritoras e letrólogas paulistas Nanda Mateus e Raphaela Comisso dialogam com as crianças sobre diversidade familiar e desmistificam a homoparentalidade. Nanda Mateus trabalha com educação e inovação em tecnologias para...
Existem músicas para os momentos felizes, tristes e até aquelas que marcam datas especiais, mas para Melody King é diferente: as canções são uma consequência — infelizmente incontrolável — de uma rara doença. As dificuldades em lidar com as embaraçosas situações,...
img
img
RSS  Top Vdeos Top Vídeos
img
Thumbnail
img
img
img
RSS  Classificados Classificados
img
img
img



RSS GOOGLE + YOUTUBE TWITTER FACEBOOK