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A população e a produção de alimento: A fome não é problema de escassez de produto
03/08/2012 as 15:27 h  Autor Francisco Castro  Imprimir Imprimir
A população e a produção de alimento: A fome não é problema de escassez de produto

Toda vez que, por algum motivo, ficamos com fome temos uma sensação muito ruim, isso porque é somente por algumas poucas horas, imagina pessoas que passam o dia ou até mesmo dias sem poder comer ou comem muito precariamente porque lhes faltam recursos para conseguir o alimento. Se alimentar é uma atividade básica sem a qual nenhum ser vivente consegue viver e quanto menos se alimenta pior é a qualidade de vida e mais sofrimento padece. Infelizmente, centenas de milhões de pessoas em todo o mundo sofrem pela falta de comida atualmente, impondo-lhes sofrimento incomensurável no cotidiano dessas pessoas. 

Atualmente são produzidos 1,5 bilhão de toneladas de cereais e 200 milhões de toneladas de carnes por ano em todo o mundo, que seriam suficientes para alimentar todos os seres humanos do planeta, entretanto em razão do grande desperdício, da forte concentração de renda entre os países e dentro dos países, de distorções de preços e outros fatores muitas pessoas não conseguem se alimentar dignamente. A fome ou a alimentação em quantidade insuficiente tornam-se presentes constantemente nas vidas dessas pessoas. O nível da produção de alimentos aumentou muito fortemente nas últimas décadas, levando vários países, como o Brasil, a terem excedentes de alimentos que são exportados para outros países que não os produzem em quantidade para alimentar toda a sua população.

Segundo algumas previsões de órgãos sérios, daqui uns trinta anos, será necessária dobrar a produção de cereais e mais que dobrar a produção de carnes, que deverão ser produzidas 470 milhões de toneladas em todo o mundo por ano. Essa meta é totalmente factível, dadas as possibilidades reais de aumento vertiginoso da produtividade (aumento da produção utilizando-se a mesma quantidade de terra) e a grande quantidade de terra que podem ser utilizada e que não o são. No Brasil, por exemplo, somente sete por cento da superfície de terra são utilizados na agricultura. No mundo e no Brasil, em particular, a agricultura industrial, a chamada agroindústria, foi um dos setores onde ocorreram os maiores aumentos de produtividade nos últimos anos. A tendência é que a produtividade continue aumentando no campo, com o consequente aumento na produção de alimentos e a provável redução nos seus preços.

Nas primeiras décadas do século dezenove, o economista britânico Thomas Robert Malthus dizia que a população estava condenada a não aumentar significativamente e a ter a qualidade do padrão vida bastante limitada em razão da falta de alimentos. Para ele, a produção de alimentos não era capaz de acompanhar o aumento da população que passaria a ser limitada pela escassez de alimentos. O que ele não imaginava é que as técnicas de produção que surgiram posteriormente foram capazes de elevar significativamente o nível de produção que o mundo era capaz de produzir. Naquela época a população mundial não passava de um bilhão, atualmente o mundo é capaz de produzir alimentos para suprir a demanda de sete bilhões de pessoas que vivem na terra.

Diferentemente do previsto por Malthus, o problema da fome atualmente no mundo é de natureza distributiva de renda, fator principal que levam as pessoas a passarem fome. As pessoas passam fome não porque faltam alimentos, mas porque não possuem recursos para comprá-los.  Aqui é muito importante o comprometimento dos países ricos e de órgãos como a Organização das Nações Unidas (ONU) que tem como um de seus objetivos do milênio a redução pela metade do número de famintos no mundo pela metade até 2015.

Nesse contexto, o Brasil tem muito o que contribuir tanto com o combate à fome dos brasileiros como do resto do mundo. Com o aumento da produtividade, pode-se vender mais barato e muitos que não poderiam comprar passam a ter condições de se alimentar melhor. No caso dos brasileiros que ainda passam fome, o país também pode contribuir para incluí-los no mercado de consumo com políticas sociais que os levem a obterem renda suficiente para comprar o alimento que necessitam. O mesmo deve ser feito pelos países que possuem pessoas passando fome.

Francisco Castro. Economista
http://www.franciscocastro.com.br

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