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Vulnerabilidade externa do Brasil
28/05/2012 as 21:54 h  Autor Francisco Castro  Imprimir Imprimir
Historicamente o Brasil sempre foi estruturalmente uma economia deficitária em termos de rendas com os outros países. O rombo dessas contas é cobertas em parte pelos superávits do comércio de mercadorias e serviços e pelos capitais que veem para serem aplicados ou nas empresas (investimentos diretos) ou em aplicações no mercado financeiro (geralmente constituem-se em capital especulativo). Em ambos desses tipos de capital continuem em empréstimos que a qualquer momento esses investidores, se assim o desejar, poderá tirá-los do Brasil juntamente com os seus rendimentos e aplicá-los em outro país ou países. Em razão disso, um país como o Brasil que tem muito mais desses tipos de capitais oriundos de investidores estrangeiros aplicados internamente do que dos investidores brasileiros aplicados no exterior.

Em momentos de crises no mercado mundial, um país com um perfil desse tipo pode apresentar vulnerabilidade e ficar sujeito a passar por momentos que não existam meios para financiar o seu déficit externo, aprofundando tremendamente a queda na economia e podendo até mesmo ter que dar um calote em sua dívida.  Essa vulnerabilidade vem acompanhando o Brasil desde há muito tempo culminando com as crises dos anos 1980 e 1990. Na segunda metade da década de 1990 com a implantação do Plano Real, plano que inicialmente estava ancorado na taxa de câmbio, teve um fluxo bastante forte de moeda estrangeira atraída pelas taxas de juros que beirava à estratosfera e pela venda da maioria das empresas estatais, muitas das quais a preços baixos e contava ainda com financiamento de bancos estatais brasileiros. Mas, em 1999 o Brasil foi forçado a mudar a sua política monetária por conta da falta de reservas em moedas estrangeiras.

A partir daquele ano o governo foi obrigado a flutuar a taxa de câmbio e trabalhar com regime de metas de inflação e com superávit primário pré- definido. Esses três pilares continuam até agora, embora tenha sofrido alterações quanto à magnitude de cada um deles. Se em alguns momentos eles podem travar um pouco a economia em termos de crescimento, por outro lado, ajuda a conter a inflação e também a sanear as finanças públicas com reflexos diretos na melhora da vulnerabilidade externa do país. Atualmente, as condições externas do país estão bem caminhadas, entretanto, essa vulnerabilidade continua, embora em menor magnitude do que no passado, em razão dessa dependência de capital estrangeiro.

A aferição dessa dependência pode ser vista considerando os tipos de investimentos realizados em alguns anos pelos estrangeiros no Brasil e de brasileiros no exterior. Por exemplo, considerando o ano de 2009, o Brasil tinha investido no exterior US$ 157,667 bilhões em empresas (investimentos diretos), US$ 18,871 bilhões em carteira, US$ 81,52 bilhões em outros investimentos e US$ 238,52 bilhões em reservas de moedas estrangeiras. Nesse mesmo ano, os investidores tinham US$ 401,24 bilhões em empresas, US$ 566,697 bilhões em carteira e US$ 116,579 bilhões em outros tipos de investimentos. Naquele ano, os estrangeiros tinham US$ 588,893 bilhões investidos a mais no Brasil com relação ao que os brasileiros tinham investindo no exterior. Os estrangeiros tinham US$ 1,084 trilhão, e os brasileiros, US$ 495,6 bilhões. O diferencial de rendimento é muito grande a favor dos capitais investidos aqui no país. Enquanto os investimentos dos estrangeiros aplicados no Brasil rendem, em média, 4,5%, as aplicações dos brasileiros no exterior rendem, em média, 1,0%.

Na dinâmica e nas relações dos países há a necessidade de possuir recursos que outros países possam aceitar. Isso poderia ser em parte resolvido se o país tiver uma moeda muito forte, coisa que raramente ocorre com um país que não seja muito forte em termos econômicos. Outro problema mais sério ainda é a falta de poupança suficiente para atender as demandas de investimentos necessários para que o país possa crescer de forma satisfatória. Historicamente o país sempre recorreu aos capitais estrangeiros para implantação de muitos projetos de investimentos, em razão, principalmente da falta de poupança para a realização de investimentos de maior vulto. Portanto, somente quando o país tiver um nível de poupança bem superior ao que tem atualmente é que poderá não necessitar dos recursos vindos dos mercados internacionais no nível que está atualmente.

Francisco Castro
. Economista
http://www.franciscocastro.com.br

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