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A dicotomia entre os governos FHC e LULA
22/05/2012 as 19:52 h  Autor Francisco Castro  Imprimir Imprimir
Muitas pessoas apressadas costumam fazer comparações com indicadores econômicos referentes aos dois governos de FHC com os dois de LULA, na maioria das vezes mostrando que os resultados alcançados pelo governo petista foram muito melhores que os alcançados pelo governo tucano. Números relacionados a taxas de juros, relação dívida/PIB, taxa de desemprego, crescimento da economia, entre muitos outros são muitas vezes tratados como fracassos dos dois primeiros governo pós estabilização de preços. A verdade é que em ambos os governos, de LULA e de FHC, houve muito que se comemorar em razão de muitos desafios vencidos, embora ainda existam muitos a serem vencidos.

O principal mérito do primeiro governo tucano foi sustentar o Plano de Estabilização no meio de vários choques na economia internacional, começando a primeira grande crise, a mexicana, logo após a implantação do Plano Real. Logo vieram muitas outras crises produzindo uma forte escassez de recursos no mercado internacional para economias em desenvolvimento como a brasileira. Em razão disso, da cultura inflacionária no Brasil, tendo em vista os vários e vários anos de processo inflacionário vivido pelos brasileiros, entre outros fatores, o governo brasileiro se viu forçado a elevar fortemente as taxas de juros da economia. Isso levou ao crescimento médio do PIB no período ser extremamente baixo, elevando, em consequência, a uma alta taxa de desemprego que abrangia praticamente todas as camadas da sociedade brasileira.

No segundo governo de FHC também ocorreram crises substanciais que afetaram diretamente o andamento da nossa economia culminando com fortes perdas em termos de crescimento e de geração de emprego. Podem ser citados os três principais problemas enfrentados pelo último governo tucano: a crise brasileira em 1999, o ataque aos Estados Unidos em 2001 e as eleições em 2002. Cada um desses três tiveram relevância no travamento do crescimento da economia. A crise brasileira foi determinada, principalmente, pelo forte déficit em transações corrente da ordem de 4% do PIB forçando o Brasil a trocar o regime cambial e em seguida a política monetária com a implantação do regime de metas de inflação. O ataque sofrido pelos Estados Unidos fez “esfriar” a economia internacional afetando negativamente o Brasil tanto o comércio internacional quanto as transações financeiras internacionais. As eleições de 2002 com a eminência do Partido dos Trabalhadores ganharem as eleições pela primeira vez fez com que muitos agentes ficassem receosos, tendo como uma das consequências disso o aumento dos preços levando o governo a aumentar fortemente as taxas de juros.

Os custos para a sociedade brasileira foram extremamente alto, tanto em termos de emprego quanto em termos de impostos que foram direcionados para pagar os juros da dívida pública em razão das altas taxas de juros praticadas naquela época para sustentar o plano econômico. As taxas de juros que o governo pagava na época giravam em torno de 14 % acima da inflação medida pelo IPCA. Em razão disso, muitos analistas diziam que a dívida pública iria explodir no governo petista porque não seria possível gerar superávit primário suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB.

Em razão de diversos fatores, isso não ocorreu, ao contrário, os brasileiros viram essa relação diminuir e o país com nível de reservas em moedas estrangeiras jamais visto. A redução da relação dívida/PIB foi ajudada pela mudança da metodologia de medição do PIB que o elevou em 10% no inicio do governo LULA. Só por esse ajuste contábil do PIB a relação dívida PIB passou de 50% para 45% logo no começo do governo LULA. O êxito do governo LULA pode-se medir em algumas ações que foram muito importantes para a economia e para o povo brasileiro. A continuidade da política econômica do governo anterior e o fortalecimento do comércio exterior foram fundamentais para o país obter os ganhos advindos do crescimento da economia mundial. O fortalecimento do mercado interno com políticas de inclusão de distribuição de renda levaram poder de consumo para muitos brasileiros que sempre viveram à margem da sociedade em termos de não poder comprar o que precisava.

A razão do LULA sair do governo com nível de popularidade extremamente alta e o FHC muito mais baixa, deve-se a isso: LULA pode elevar o poder de compra dos brasileiros, FHC apesar de ter tido o êxito de sustentar a economia e a estabilidade de preços não conseguiu aumentar emprego e nem renda para os mais pobres. Não se deve culpar um ou outro governo, eram períodos e circunstâncias muito diferentes. Mesmo que FHC quisesse implantar políticas sociais na mesma magnitude da implantada por LULA não haveria recursos suficientes, boa parte dos recursos públicos estava sendo direcionada para pagar os juros da dívida. O governo Lula continuou pagando um valor muito alto em juros, mas as receitas do governo eram muito maiores proporcionadas principalmente pelo crescimento da economia.

Francisco Castro. Economista
http://www.franciscocastro.com.br

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