Novoeste on-line - Onde o Oeste da Bahia é Notícia
> Principal > Artigos > Pauta Livre > A CPI, a lona e o circo
 
A CPI, a lona e o circo
11/05/2012 as 17:25 h  Autor tenente dirceu  Imprimir Imprimir
A oposição reclama da presença de advogados dos acusados na sessão (secreta) da CPI do Cachoeira. O presidente, senador Vital do Rego, justifica que os profissionais foram autorizados a participar em respeito ao direito constitucional de defesa. Tem razão o senador-presidente; os acusados precisam dispor de todos os meios de acompanhamento e defesa. Mas, afora isso, é importante lembrar que não há razão para a CPI correr em rito secreto, pois trata de crimes supostamente praticados no âmbito da administração pública e – o pior – com o desvio de dinheiro do povo. Logo, o povo, legítimo dono da bolada em questão, tem o direito de saber, nos mínimos detalhes, o que foi feito do seu patrimônio e quem são implicados na negociata.

Em vez de secreta, a CPI deveria ser aberta a todos os interessados em assisti-la pessoalmente, e televisionada para todo o país, num exemplo digno e claro do que pretendem seus membros. Não há motivo ético e nem justo para tomar sigilosamente os depoimentos sobre os crimes de lesa-pátria ali denunciados. Em vez de promover o anonimato, os deputados e senadores componentes da comissão, cumpririam muito melhor suas tarefas, escancarando para todo o território nacional e até para o mundo, toda a podridão apurada e, principalmente, os nome e o nível de envolvimento de cada um de seus personagens. Não é hora de abafar para evitar escândalos. O escândalo já está deflagrado e, se não for desvendado como se deram os fatos e os reais envolvidos, o fardo cairá sobre as costas de toda a classe política.

Não basta, ardilosamente, entregar ao sacrifício só a cabeça do senador Demóstenes Torres, transformando-o no clássico boi-de-piranha. Já é sabido por toda a população que existem outros parlamentares, governadores e dezenas (talvez centenas) de ocupantes de postos importantes na administração pública enredados pelo esquema de Cachoeira. Estabelecer o sigilo é - como diz o juiz federal Alberto Nogueira, do Rio de Janeiro – cultivar o segredo de polichinelo, escondendo do povo o que todos já sabem.

A CPI tem o dever e a oportunidade de acabar com o picadeiro, apurando todas as dúvidas levantadas pelas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, punindo os culpados e até dando a real oportunidade de defesa para os que tiverem boas explicações a fornecer. Tudo tem de ser feito às claras, sem subterfúgios para, ao final, o mal restar extirpado e conhecidos os nomes dos reais criminosos.

Depois de tantos conchavos que resultaram em impunidade, tanto em CPIs quanto em outros instrumentos de apuração e pré-apuração, as instituições governamentais e políticas restaram em frangalhos. Os políticos, com raríssimas exceções, não merecem crédito perante a população. O sigilo nas apurações sobre  Cachoeira serve apenas para acentuar esse sentimento negativo, pois soa como mais um acordão pela impunidade. Ainda é tempo de consertar esse lastimável erro. Para tanto, a CPI precisa abrir imediatamente os seus trabalhos. Se não abrir, independente dos seus resultados, ficará para a população a certeza de que seus membros agiram mancomunados com os esquemas criminosos do bicheiro e sua quadrilha, e de que tudo não passou de uma reles encenação circense. Nem precisará da lona para cobrir.

Perdoem os circenses honestos, autênticos e puros, pela má comparação...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

Comente via Facebook
Mais Artigos
No h comentrios.
img
img
RSS  Artigos Artigos

O escritor foi e ainda é, para as crianças que estão começando a descortinar o infinito horizonte da palavra, algo inatingível, meio mágico, talvez mítico.Isso, dito por elas mesmas. A criança é naturalmente curiosa, sedenta de conhecimento e experiência, e ficar cara a cara com...
Na civilização humana, em todos os tempos as gesticulações passaram a simbolizar determinados comportamentos e construir significados diversos para cada sociedade e para cada povo. Gestos humanos servem tanto para simbolizar comportamentos positivos, bem como...
https://www.novoeste.com/uploads/image/artigos_gaudencio-torquato_jornalista-professor-usp-consultor-politico.jpgHoje, tomo a liberdade de fazer uma reflexão sobre a vida. Valho-me, inicialmente, de Sêneca com seu puxão de orelhas: “somos gerados para uma curta existência.  A vida é breve e a arte é longa. Está errado. Não dispomos de pouco tempo, mas desperdiçamos muito. A vida é longa...
A presidenta do Instituto Justiça Fiscal aponta o falso dilema para a escolha eleitoral de 2022 e indica as fontes de custeio para vencer o quadro desolador de fragilidade da maioria do povo brasileiro. A próxima eleição, se ocorrer, certamente exigirá muito de nós. Mas não será uma escolha difícil. Para começar, terceira via não existe! Ou melhor: existe, em Bolsonaro. Este, que pode parecer insano, sádico, intratável, joga o jogo e...
A Constituição Cidadã erigiu a dignidade da pessoa humana como seu fundamento, ao lado da soberania, cidadania, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Trata-se, portanto, de um dos pilares que legitimam o Estado Social e Democrático que fundou....
img
img
img
PUBLICAÇÕES RECENTES
img




img



img
img
img
CASAS img LOTES img FAZENDAS
img
CHÁCARAS img PRÉDIOS COMERCIAIS img GALPÕES
img
RSS  Dicas de Leitura Dicas de leitura
img
Ambientado em uma comunidade japonesa de São Paulo, lançamento ficcional da escritora Juliana Marinho promove o poder da música como intervenção para cura de doenças. A musicoterapia, união da arte e saúde em busca da reabilitação ou promoção do bem-estar, é a responsável...
Por meio da personagem Malu, as escritoras e letrólogas paulistas Nanda Mateus e Raphaela Comisso dialogam com as crianças sobre diversidade familiar e desmistificam a homoparentalidade. Nanda Mateus trabalha com educação e inovação em tecnologias para...
Existem músicas para os momentos felizes, tristes e até aquelas que marcam datas especiais, mas para Melody King é diferente: as canções são uma consequência — infelizmente incontrolável — de uma rara doença. As dificuldades em lidar com as embaraçosas situações,...
img
img
RSS  Top Vdeos Top Vídeos
img
Thumbnail
img
img
img
RSS  Classificados Classificados
img
img
img



RSS GOOGLE + YOUTUBE TWITTER FACEBOOK