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A revolução do educar
04/08/2011 as 15:58 h  Autor marcelo barros  Imprimir Imprimir
Pesquisas recentes revelam que, em vários aspectos, o Brasil está ocupando o lugar da sétima economia do mundo. Entretanto, um recente congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) denunciou: ao mesmo tempo, em termos de educação, o Brasil não passa do 88º lugar entre os países. Infelizmente, ainda temos 15% de analfabetos no país. Nos últimos dez anos, o acesso ao ensino básico melhorou muito, mas ainda é muito alto o índice de evasão escolar, principalmente por parte de crianças e jovens. Os governos criaram incentivos para que as famílias pobres mantenham as crianças e adolescentes na escola, mas não basta uma Bolsa Família, quando a realidade humana e social está deteriorada. É preciso um investimento mais de caráter pedagógico e comunitário. Seria necessário um verdadeiro mutirão de jovens para ajudar jovens e adolescentes a superarem o clima negativo nas famílias e permanecerem na escola. A educação é um processo mais amplo do que a escolarização, mas principalmente nos primeiros anos, precisa da instituição formal para se fortalecer.

Em vários países da América Latina, se consolida um processo social e político novo. Povos indígenas e comunidades afro-descendentes se reorganizam e se unem em torno de suas necessidades básicas e do fortalecimento de suas culturas. Novas constituições nacionais como a da Venezuela, do Equador e da Bolívia priorizam a educação como fator fundamental de construção da cidadania. Organismos internacionais da ONU já declararam a Venezuela como país livre do analfabetismo. E o bolivarianismo tem dado muita força à cultura popular e suas expressões.

Também o governo de Evo Morales, na Bolívia, realizou uma grande campanha de alfabetização em massa. No Equador, embora o governo compreenda que o fundamental é a justiça social, sabe também que nenhuma mudança profunda será possível sem passar pela educação de base, alfabetização de adultos e democratização do ensino e da universidade.

No Brasil, estamos atrasados. As elites brasileiras nunca se incomodaram em democratizar a educação. E as universidades continuam a ser ilhas de difícil acesso, sem pontes nem barcos que as liguem às ruas do país real e à vida do povo ao qual deveriam servir.

Enquanto desde o século XVI, a Colômbia, o Peru, a Bolívia têm boas universidades públicas, no Brasil, somente no século XIX, tivemos o primeiro curso de direito em Olinda e São Paulo, fato comemorado no dia 11 de agosto de cada ano. “O próprio Ministério da Educação só existe no governo brasileiro a partir de 1930” (revista Fórum, junho 2009, p. 8).

No momento atual, o governo brasileiro parece continuar um bom trabalho no sentido de garantir a democratização do ensino de qualidade, a competência na gestão das escolas e do ensino, assim como a inclusão social dos mais pobres em todos os níveis da escolaridade.

Este caminho novo e democrático da educação deve clarear uma opção pelas crianças que têm mais dificuldade e não por aquelas que já merecem notas melhores. Devemos estimular os professores a optarem pelos pequenos e fracos e não pelos estudantes mais capazes, assim como o Estado não deve bonificar ou pagar mais professores que conseguem melhores notas para suas classes. Não se trata de um campeonato de excelências, nem de concurso de meritocracia e sim de educadores que se dedicam ao elo mais frágil da corrente e sabem que os problemas são mais complexos do que apenas um sistema de notas e conceitos.

Para quem tem fé e busca viver uma espiritualidade ecumênica, a educação é a tarefa que mais nos aproxima dos grandes líderes espirituais da humanidade. Todos foram educadores e, de certo modo, optaram pelos últimos. Jesus Cristo, por exemplo, se revelou como Sabedoria Divina oferecida a toda pessoa que aceita acolhê-lo. E mostrou que neste processo de educação o importante é conhecer e praticar a verdade. Como ele afirmou: “A Verdade vos libertará” (Jo 8, 33).

Marcelo Barros é monge beneditino e escritor.

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