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A mídia e o golpe de 1964.
11/10/2010 as 10:08 h  Autor administrador  Imprimir Imprimir
Você acha que a ditadura não foi dura? Você acha que a ditadura foi branda? Se foi branda, para quem ela foi branda? Para alguns veículos de comunicação, historicamente ligados e com participação direta na ditadura, essa não foi dura e sim branda. Esses veículos de comunicação, historicamente parciais, são simpáticos, aliados dos ditadores, do DEM, do PSDB e conseqüentemente apoiadores da candidatura de José Serra. Com participação na tentativa de golpe na Venezuela, como a filiada da Rede Globo. Recentemente, houve uma tentativa de golpe no Equador, mas a Rede Globo de Televisão insisti em omitir ao afirmar que foi apenas uma revolta, uma manifestação de descontentes com o governo.

A quem favorece esses golpes ou as tentativas. Curiosamente à nação mais poderosa do mundo e a mais “democrática” – para não dizer o contrário. No tempo de FHC que chamou os aposentados de vagabundos, só se ouvia falar no Brasil em EUA, FMI, Banco Mundial, Dívida Externa, Golpes, Privatização... É isso que o Brasil quer de volta com a candidatura dos meios de comunicação que foram aliados aos ditadores, não são democráticos, são parciais, omitem, deturpam, conturbam os fatos e as instituições? Serra é o candidato das elites dominantes que comandam os meios de comunicação que possuem esse passado horrendo.

Importante destacar que historicamente foi e é a direita que deu e fez os golpes na América Latina, quem retirou a democracia, a liberdade de imprensa e de expressão. E isso com a participação direta dos democráticos meios de comunicação. Você prefere os torturadores ou a torturada? Os crucificadores ou a crucificada? Dilma é pejorativamente chamada de guerrilheira, por ter lutado pela democracia, liberdade de ir e vir, de imprensa e de expressão. Por ter enfrentado as armas de fogo, a truculência, sendo torturada, presa, levando choque na vagina...

Há exatos 46 anos, os olhos de toda uma nação eram vendados para atos terríveis que aconteceriam em porões e calabouços. Na calada da noite de 31 de março de 1964, militares se apoderaram daquilo que pertencia a todas (os) as/os cidadãs (os) brasileiras (os), instalaram um regime de exceção, eliminaram liberdades civis, violaram direitos humanos, torturaram, mataram (qualquer semelhança com a doutrina do terror que dominou o governo de George W. Bush, de infeliz lembrança, não é mera coincidência). Já avançamos muito na construção de instituições democráticas. Mas, como podemos dormir tranqüilos enquanto não trouxermos à luz tudo aquilo que foi acobertado em nossa história? Como podemos afirmar que somos de fato uma democracia se não acertamos as contas com o nosso passado, e deixamos que os crimes cometidos pelo Estado permaneçam impunes?

O país foi governado durante 20 anos por militares, e somente em 1989 o povo voltaria a eleger um presidente de forma “democrática”. Mesmo assim, houve quem dissesse que o Brasil viveu em 1964 uma “ditabranda”. A expressão foi utilizada pelo jornal de maior circulação no país, ligado ao candidato a presidente José Serra, e um dos meios de comunicação que junto a Rede Globo de televisão e outros espalham as sementes do medo e do horror na sociedade anunciando que a democracia e a liberdade de imprensa estão ameaçadas, sobretudo pelos governos de esquerda que se não são pelo menos se reivindicam socialistas, comunistas ou de orientação destes, como no caso de Evo Morales, Rafael Correa, Hugo Chaves, Fidel Castro e Cristina Kirchner.

O jornal Folha de São Paulo, em resposta à carta de um leitor, justificou o termo “ditabranda”: “Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional”.

Veículos de comunicação como o periódico paulistano e outros que são apoiadores e simpáticos a candidatura de José Serra, seguiram a lógica da segurança nacional à época do regime militar. É estarrecedor constatar que um veículo de comunicação como a Folha de São Paulo tenha se colocado dessa maneira, sem prestar o mínimo de solidariedade aquelas (es) que foram perseguidas (os). Por outro lado, é sabido que a história da Folha nunca foi de solidariedade. Ela estava a serviço da ditadura, houve uma colaboração.

O neologismo “ditabranda”, cravado no editorial de 17 de fevereiro da Folha de São Paulo, serviu para desmascarar este veículo, que vende a imagem publicitária de que é um jornal independente e plural. O episódio serve para relembrar o papel da mídia no período da ditadura. Mas, justiça seja feita, não foi somente o Grupo Folha que clamou pelo golpe e que deu apoio à ditadura na sua fase mais sombria – de prisões ilegais, torturas, mortes, censuras, cassação de parlamentares, fechamento de sindicatos e outras violências. Vale citar a conduta de outros veículos privados de comunicação. A postura destes no passado ajuda a entender sua linha editorial reacionária na atualidade.

Veja alguns editoriais da época coletados pelo jornal Brasil de fato:

- “Vive a nação dias gloriosos. Porque souberam se unir todos os patriotas [...] para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para os rumos contrários à sua vocação e tradições... Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegem de seus inimigos.” O Globo.

- “Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem... A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas... Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, na desordem social e na corrupção generalizada.” Jornal do Brasil.

- “Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e os chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao palácio da liberdade.” O Estado de Minas.

- “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr. João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr. João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”. Tribuna da Imprensa, na época sob comando do governador Carlos Lacerda.

Como aponta o professor Venício de Lima, num excelente artigo na Carta Maior, “a participação ativa dos grandes grupos de mídia na derrubada do presidente João Goulart já é um fato histórico fartamente documentado”. Não dá para escondê-lo. Daí a tentativa da Folha e de outros veículos simpáticos e apoiadores do candidato José Serra de revisar a história da ditadura e reconstruir o seu significado, inclusive com a criação de novos termos como “ditabranda”.

Para o professor Venício de Lima, é essencial revisitar esta história, principalmente no momento em que o país debate a democratização da mídia. “Não são poucos os atores envolvidos no golpe de 1964 – ou seus herdeiros – que continuam vivos e ativos. A grande mídia brasileira, apesar de muitas mudanças, continua basicamente controlada pelos mesmos grupos familiares, políticos e empresariais. O mundo mudou, o país mudou. Algumas instituições, porém, continuam presas ao seu passado. Não deve surpreender que eventualmente transpareçam suas verdadeiras posições e compromissos, expressos em editoriais, notas ou, pior do que isso, disfarçados na cobertura jornalística cotidiana. Tudo, é claro, sempre feito ‘em nome e em defesa da democracia’.

A mídia e/ou as famílias e/ou grupos que dominam os meios de comunicação no Brasil, são as/os mesmas (os) que a exemplo da Família Marinho estavam do lado daqueles que implantaram a censura e a ditadura nesse país. Aliás, só chegaram aonde chegaram por isso. Enquanto o povo estava na rua enfrentando as armas de fogo, a truculência, sendo torturados, presos, mortos, exilados, levando choque na vagina ou no pênis, tal como aconteceu com a candidata Dilma Rusself, lutando pela democracia nesse país, os donos dos meios de comunicação no Brasil capitaneados pela Rede Globo de televisão estavam do lado daqueles que implantaram esse terror no Brasil. Enquanto o povo estava nas ruas pedindo liberdade e democracia, a Família Marinho apresentava Roberto Carlos mandando que tudo mais fosse para o inferno. Ou seja, os que acusam a esquerda de anti-democrática e de querer cercear a liberdade de imprensa, foram os que historicamente fizeram e ainda fazem de maneira velada isso no Brasil. Pergunte a um funcionário da TV cultura como o candidato José Serra age na TV!

Alguém poderá contra-argumentar que José Serra também foi exilado, anistiado... Sim, José Serra foi líder estudantil da UNE, o que não quer dizer talento retórico nem capacidade intelectual; todavia se no passado porventura possuía algum charme persuasivo, atualmente não lhe sobrou nada, e isso está relacionado com a sua progressiva direitização depois do Chile, ou talvez até antes. Serra em Santiago foi uma espécie de garçom ou mordomo de FHC.

José Serra, sem o menor escrúpulo intelectual, se ufana da burguesia industrial e financeira paulista, um tecnocrata operador do capital monopolista internacional.

José Serra, é de origem pobre, mas fascinado pelo Banco e pelo poder do dinheiro fazer dinheiro, que não tem nada a ver com o capital produtivo. O PSDB é a expressão de classe da universalização do capital monopolista, isto é, do imperialismo.

Não se conhece nenhum protesto tucano contra a derrubada do presidente Salvador Allende. E esse silêncio, ou essa atitude impassível é revelador do tipo de “democracia” a que está afeiçoado o PSDB. O modelo econômico de Pinochet foi inspirado na ditadura brasileira de 1964 com os planos de “austeridade” ditados pelo FMI e Banco Mundial, privatizadores com corte de gastos estatais.

O que existe em comum entre FHC e José Serra?
Estes no poder venderam as empresas estatais para o capital privado e, principalmente, para o capital estrangeiro.

Essa política neoliberal de desnacionalização, que direcionou a social democracia de FHC e Serra, baseia-se em três pilares: exportação, austeridade e superexploração do trabalho.

FHC e Serra, concentraram o poder econômico e venderam o país com a bula da “estabilização da economia”.

É preciso desconfiar da auto-propagada vocação dos tucanos e da mídia à democracia. Por isso é preciso perguntar o seguinte: até onde vai o amor de José Serra e da mídia pela democracia? O lucro é a essência da democracia. A democracia somente quando ela não contrariar meus projetos e interesses econômicos, financeiros e políticos sob a lógica do capital. Se contrariar, esqueçamos a democracia e partamos para as tentativas de golpes, mentiras, omissão, deturpação e conturbação dos fatos e das instituições.

FHC sempre disputou as eleições
por cima e em situação favorável, a moeda “real” foi a cédula eleitoral no bolso, dizia Leonel Brizola. Depois se reelegeu na maré das reeleições, o que não acontecerá com José Serra, que é uma espécie de primo pobre da tucanalha, desprovido das fortunas maquiavélicas que foram oferecidas para FHC na Casa Grande.

Não permita que a truculência, a arrogância, o medo, o terror, os privilégios SOMENTE para os ricos, as privatizações, a ortodoxia do neoliberalismo, a repressão, a democracia do FMI, do banco Mundial... volte com Serra.

Claudio Roberto de Jesus

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