Novoeste on-line - Onde o Oeste da Bahia é Notícia
> Principal > Notícias Destaque > MPF/Procuradoria-Geral da República > MPF propõe reflexão sobre uso exagerado de medidas coercitivas em universidades
 
NOTÍCIAS DO DIA... NOTÍCIAS DO DIA...
MPF propõe reflexão sobre uso exagerado de medidas coercitivas em universidades
07/12/2017 as 18:41 h  Autor Editoria  Imprimir Imprimir

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal, se manifestou nesta quinta-feira (7) por meio de uma nota pública em defesa da criação do Memorial da Anistia Política do Brasil, que está sendo implantado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O órgão também pediu cautela no uso de medidas coercitivas no ambiente universitário. A nota faz referência à Operação Esperança Equilibrista, da Polícia Federal, deflagrada ontem (6) para investigar supostos desvios de recursos públicos destinados à criação do memorial.

Na manhã de quarta-feira, o reitor da UFMG, Jaime Arturo Ramirez, a vice-reitora, Sandra Regina Goulart Almeida, e o presidente da Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa (Fundep), Alfredo Gontijo de Oliveira, foram alvo de condução coercitiva pela PF em Belo Horizonte. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e oito de condução coercitiva, incluindo também a historiadora Heloisa Starling, vice-reitora da UFMG entre 2006 e 2010, que faz parte do grupo de pesquisa Projeto República, voltado para a difusão da memória política dos períodos de repressão no país.

De acordo com a PF, até o momento teriam sido gastos mais de R$ 19 milhões no projeto do memorial, mas o único produto aparente é um dos prédios anexos ainda inacabado. "Do total repassado à UFMG, quase R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos realizados pela Fundep, contratada para pesquisas de conteúdo e produção de material para a exposição de longa duração. Os desvios até agora identificados teriam ocorrido por meio de pagamentos a fornecedores sem relação com o escopo do projeto e de bolsas de estágio e de extensão", informou em a PF por meio de nota.

A Procuradoria propõe uma reflexão sobre “o eventual uso exagerado de medidas coercitivas, especialmente no ambiente da academia, a qual goza de autonomia constitucional”. O órgão avalia que a autonomia das universidades não impede a apuração de crimes, mas defende que seu rompimento seja reservado a situações de gravidade que “justifiquem a presença de forças policiais no ambiente da universidade, a qual traz tristes memórias, oriundas justamente do período autoritário sobre o qual o Memorial da Anistia Política irá se debruçar”.

Defesa do Memorial

A nota destaca que, embora “repudie o uso indevido de recursos públicos em qualquer hipótese”, a Procuradoria defende a implementação do Memorial da Anistia Política devido a sua importância para a preservação da memória nacional sobre as graves violações aos direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar no Brasil. “Qualquer iniciativa de investigação de desvios de recursos na implementação do Memorial não pode ser usada para depreciar a importância jurídica e histórica da preservação da memória sobre o legado de violações aos direitos humanos no regime militar autoritário.”, diz o informe.

A nota também critica o nome escolhido para a operação, que faz referência a um trecho de uma música de Aldir Blanc e João Bosco, O Bêbado e a Equilibrista, que se tornou hino da luta por liberdades e direitos, “especialmente daqueles que foram mortos, torturados ou desapareceram por força da repressão política durante a ditadura militar”.

Críticas à operação

Ontem (6), professores da UFMG fizeram uma vigília em protesto contra a condução coercitiva do reitor da instituição.  O Sindicato dos Professores da UFMG (ApuBH) disse em nota que as conduções coercitivas causam "estranhamento a forma como a operação foi conduzida pela Polícia Federal que, antes de notificar a UFMG, nos parece ter informado à imprensa, transformando a ação em um espetáculo midiático, a exemplo do que ocorreu em Santa Catarina", em menção ao suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Ele  estava afastado de suas funções e era alvo na Operação Ouvidos Moucos.

A ação da PF também foi criticada por 11 ex-reitores e ex-vice-reitores da UFMG que publicaram uma nota de repúdio. "Repudiamos o uso de medida coercitiva quando sequer foi feita uma intimação para depoimento, em claro descumprimento ao disposto nos artigos 201, 218 e 260 do Código de Processo Penal". A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes) colocou sua assessoria jurídica à disposição da UFMG.

Da Agência Brasil

Comente via Facebook

Mais Notícias
Não há comentários.
img


img
RSS  Artigos Artigos

Quando me perguntam se é possível aplicar na educação brasileira práticas bem-sucedidas de países com melhores resultados educacionais que o Brasil, costumo responder - para surpresa do interlocutor - com uma afirmação e uma negativa. Essa conjunção de ‘sim e não’ é a...
Até o pleito de outubro, os eleitores colocarão uma lupa sobre os candidatos. Farão um controle mais apurado do que em eleições passadas. Primeiro, em função da desconfiança que paira sobre os políticos. Segundo, porque o voto começa a sair do coração para subir à cabeça. O voto...
Na esteira da decretação de intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, vemos o embate de como executar o trabalho. Membros do governo dizem que as Forças Armadas não terão poder de polícia, falam em ação de busca e apreensão monitorada pelo Judiciário e...
Isso é Brasil! Até onde vai a promiscuidade dos nossos governantes?  Será que estão realmente preocupados com a melhoria do ensino de medicina ou com possíveis futuros financiadores de campanhas políticas, em face à realidade nacional?  Pois bem; de olhos gananciosos no alto...
O escritor sergipano Ariosvaldo Figueiredo escreveu certa vez que “moralismo e juridicismo são vertentes ideológicas de uma pequena minoria conservadora”. Frase que nunca esteve tão atual como nos dias em que vivemos, onde quem deveria zelar pela moral e pelos bons...
img
img
img
PUBLICAÇÕES RECENTES
img




img

img
img
img
CASAS img LOTES img FAZENDAS
img
CHÁCARAS img PRÉDIOS COMERCIAIS img GALPÕES
img
RSS  Dicas de Leitura Dicas de leitura
img
Como falar às crianças e adolescentes sobre respeito às diferenças? E se essas diferenças forem algo de certa forma muito difícil de explicar? É isso que faz de forma poética e muito alegre o livro Você sabe quem eu sou? Então vou te contar, de Herica B. T. Secali.
Ao questionar Paulo Freire, Ronai Rocha analisa alguns dos paradigmas mais arraigados na nossa educação. A crise na educação brasileira é inegável. A baixa qualidade das aprendizagens, a estagnação do desempenho escolar nos testes padronizados, a pouca...
Mais de quinze anos depois do lançamento de As aventuras de Pi, Yann Martel retoma ao cenário literário com o romance As altas montanhas de Portugal, publicado no Brasil pelo selo Tordesilhas. Nesse livro, Martel mantém o estilo inventivo e...
img
img
RSS  Top Vídeos Top Vídeos
img
Thumbnail
img
img
img
RSS  Classificados Classificados
img



img
img



RSS GOOGLE + YOUTUBE TWITTER FACEBOOK