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“Hoje moro na cidade, fiz meu lar numa cabaça”
25/11/2017 as 13:03 h  Autor Editoria  Imprimir Imprimir
As abelhas nativas do Brasil, como a jataí, uruçu e muitas outras não possuem ferrão, por isto não podem picar nem morder ninguém. São menores que as europeias e africanas, que foram introduzidas no Brasil, porque, sendo estas muito maiores, fabricam maior quantidade de mel. No entanto, atacam as pessoas com picadas que podem causar problemas sérios.

Em Barreiras só conhecíamos o mel das abelhas típicas daqui, até que, na década de 1940, o Dr. Geraldo Rocha trouxe a primeira colmeia de abelhas europeias para a sua fazenda Água Doce, que passou a produzir e vender o mel. Lembro-me de que meu pai comprou e era diferente do que conhecíamos, mais grosso e muito saboroso.

Com o tempo, vários enxames escaparam da Água Doce e foram se espalhando por toda a nossa região, onde as pessoas começaram a chamá-las "oropa". Atualmente, em diversos lugares do Oeste baiano, instalaram-se apiários, que, com toda a tecnologia necessária, produzem grande quantidade de excelente mel e outros produtos. Um desses lugares é Ibotirama, mas outro dia fui a Taguá, distrito de Cotegipe, e lá também está havendo produção.

Era um costume antigo barreirense colocar um enxame de abelhas jataí numa cabaça preparada para recebê-las, então, há muitos anos, pedi a meu esposo, Carlos, para fazer uma para nós. Fica pendurada no nosso alpendre e convive conosco amigavelmente.

“Abelhinha brasileira

Ignez Pitta de Almeida

Abelhinha brasileira não tem ferrão nem veneno,
De tamanho bem pequeno, voa assim, toda faceira.
Sou a abelha jataí, meu mel é medicinal,
Sou mansinha e muito amiga, não pico e nem faço mal!
Eu vivia lá na roça, na curva onde o rio passa.
Hoje moro na cidade, fiz meu lar numa cabaça.
Doce lar, favo de mel, onde nascem abelhinhas
Que crescem e vão se tonar operárias e rainhas.
Lar das abelhas, colmeia, feita de cera e de mel.
Crescendo com o doce alimento, irão voar pelo céu...
Num quintal com muito verde, tem flores de toda cor,
Abelhas sugando néctar para o mel do seu amor.
Tem flores de toda espécie, lá no quintal da vovó.
Abelhinha beija as flores, suga o néctar sob o sol.
Vai levando-o pra a colmeia, lá onde o enxame se abriga,
Vai fazê-lo virar mel, pra alimentar suas amigas!”

Por Ignez Pitta de Almeida, historiadora

OS: Como sempre Da. Ignez volta a surpreender, desta vez com as abelhinhas jataí. O poema é belo e Imutável, mas no meu caso ao invés de “Hoje moro na cidade, fiz meu lar numa cabaça” posso dizer “Hoje moro na cidade, fiz meu lar na caixa padrão de energia do jornal Novoeste”. Estou há quase 27 anos no jornal e estas abelhinhas estão aí a muito mais tempo do que eu. A vigília e o cuidado são permanentes para que ninguém as perturbe (Tenório de Sousa).



Abelhinhas Jatai fizeram de seu lar a caixa
padrão de energia do jornal Novoeste



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