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Carnaval no ritmo da Corrupsamba!
14/02/2018 as 16:45 h  Autor Pastor Luiz Sayão  Imprimir Imprimir
A corrupção é um dos piores flagelos da sociedade contemporânea. No Brasil tornou-se um mal terrível. O uso indevido dos recursos públicos e a ineficácia da justiça são facetas da triste realidade. A preservação da corrupção está muito relacionada com a poderosa indústria de alienação. No Brasil, um dos seus principais mecanismos de continuidade é o Carnaval. É o ritmo da Corrupsamba! A ideia popular é esquecer a vida e cair na “gandaia e na folia”. Enquanto todos os desmandos são praticados, o povo “se diverte”. Apesar de sua face tupiniquim, o problema da corrupção não atinge apenas os países emergentes e subdesenvolvidos. Na verdade, poucos países do mundo são exemplos de honestidade e transparência. Na última pesquisa (2016), a lista dos doze primeiros lugares trazia: Nova Zelândia, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Suíça, Noruega, Cingapura, Holanda, Canadá, Alemanha, Luxemburgo, e Reino Unido. Onze países são europeus (cultura cristã), quatro são escandinavos, nove são de tradição protestante! Lamentavelmente o Brasil amargava a posição 79, para a tristeza nacional!
 
A corrupção é praga mundial! Está em toda parte. Todavia, nossa história, principalmente nas últimas décadas, tem sido difícil. O Brasil e a vasta maioria da América Latina, ou a “América Católica” de Caetano Veloso, têm sofrido com uma corrupção grotesca. A percepção geral é a do salmista: "Os ímpios andam altivos por toda parte, quando a corrupção é exaltada entre os ho-mens." (Salmo 12.8).
 
A situação tornou-se sobremodo alarmante no cenário brasileiro nos últimos anos. O panorama ético da política nacional recente é vergonhoso. Em muitas áreas do país a violência e o caos da segurança pública prevalecem. Parece que o Brasil e o mundo tendem a tornar-se refém do tráfico de armas e de drogas. Diante desse caos, o nosso sentimento é semelhante ao descrito em outro salmo: “Quando os fundamentos estão sendo destruídos, que pode fazer o justo?” (Salmo 11.3)
 
A decadência de uma sociedade passa pelo desrespeito de valores fundamentais. Quando os representantes da democracia, da fé e da sociedade não cumprem mais os seus papéis, o que restará? A vitória da corrupção só é possível quando política, mídia e religião tornam-se cúmplices do mal.
 
Talvez seja por isso que vemos que a corrupção aparece ao lado de outros índices terríveis da realidade brasileira: liberdade de imprensa e democracia. Para variar, os países escandinavos, de tradição protestante luterana, lideram os dois índices. Já o Brasil tem posição 103 no item liberdade de imprensa. Estamos atrás de Burkina Faso e do Benin! No ranking de liberdade democrática, nosso lugar é 51. Parece ironia! É a falta de justiça em todos os seus desdobramentos.
 
Em meio a tal cenário, muito dinheiro público vai continuar financiando a alienação perversa do Carnaval. Já não é mais uma festa folclórica e cultural em sua maioria. Caos, baderna, promiscuidade, bebedeira, mortes nas estradas. A triste fuga da realidade é de chorar. Que esperar de uma nação que passa uma semana bebendo e fazendo orgia? O mais terrível é que “o Show da Corrupsamba” é aplaudido por políticos, por grande parte da mídia sem conteúdo e até por religiosos!
 
Como lidar com tal desvario? Como posicionar-se politicamente com bom senso? Em primeiro lugar, as falsas esperanças do “messianismo político” e da “esquerda marxista antiga” são modelos absurdos e ultrapassados falidos na raiz. Nunca deram certo! Devem ser esquecidas. Infelizmente, em vez de olharmos modelos bem-sucedidos de democracia e de sociedade, de inspiração protestante, buscamos referências que nada podem prometer. Em segundo lugar, não podemos nos iludir com nenhum sistema político. Vale aqui mencionar o escritor cristão francês Jacques Ellul. Sua proposta curiosa é a “anarquia cristã”. A ideia de Ellul não é anárquica no sentido comum; ele sugere que não se pode confiar jamais em sistema político nenhum; ao contrário. Um cristão deve sempre protestar contra o mal, sendo “sal da terra”, pois ninguém pode se vender para nenhum sistema! Em terceiro lugar, é preciso enfatizar que a questão ética começa de fato no âmbito da individualidade: “Quem é fiel no pouco, é fiel no muito” (Lc 19.17). Chega de vitimização. Todos nós somos responsáveis. A sociedade se tornará menos corrupta quando seus membros forem honestos. Um político desonesto é apenas um cidadão que “chegou lá”. Finalmente, a esperança permanente é que a justiça divina triunfará. Todos os corruptos serão pegos! Será o fim do Carnaval! E da “Corrupsamba”!
 
Voltando aos Salmos, devemos ter esperança, pois "Um pouco de tempo, e os ímpios não mais existirão; por mais que você os procure, não serão encontrados." (Salmo 37.10).
 
E: "Pois o Senhor aprova o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios leva à destruição!" (Salmos 1.6).
 



Luiz Sayão
é pastor, teólogo e hebraísta da Igreja Batista Nações Unidas (São Paulo-SP)

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