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Ignorância, ignorância
11/11/2017 as 11:27 h  Autor Daniel Medeiros  Imprimir Imprimir
Paulo Freire foi um educador que defendeu a condição fundamental da liberdade dos brasileiros. Sua obra e sua ação voltaram-se, até o fim de sua vida, a um objetivo maior: tornar as pessoas conscientes de seu lugar e de seus direitos no mundo. Um mundo livre. Trabalhou na Europa e na África porque não pode trabalhar no Brasil, assim como milhares de outros cientistas e professores. Na época o Brasil não era um lugar seguro para o pensamento que criticava as ações que impediam a formação da consciência dos direitos que todas as pessoas têm no mundo. Foi uma época de poucas liberdades. E todos pagaram por isso: uns indo para o exílio, outros sendo presos e a maioria, a grande maioria,  ignorando. E ignorar é o contrário da Educação. Paulo Freire agiu contra a Ignorância. Depois de muita luta - luta do diálogo e da negociação - o Brasil tornou-se um país livre e Paulo Freire foi destacado com o título de patrono da Educação brasileira. Esse título não lembra apenas a pessoa que ele foi, mas a causa que ele representou: a buscar, incessantemente,  efetivar a máxima iluminista de liberdade, igualdade e fraternidade.

Kant, o grande pensador iluminista do século XVIII, definia uma pessoa esclarecida como aquela que é autônoma , capaz de seguir sua própria razão. Paulo Freire também entendia assim o papel da Educação: um aprendizado e uma prática para a autonomia. Nada mais liberal do que isso.

Habermas, o maior pensador da social democracia alemã, evoca a importância do diálogo e da formação do consenso nas sociedades democráticas, da construção de uma nova racionalidade comunicativa. E, para isso, a importância de educar as pessoas para o diálogo e para o respeito. Paulo Freire, na sua produção teórica e nas suas ações pedagógicas e políticas foi fiel a esses estatutos formadores da cidadania: racionalidade, diálogo e respeito. Nada mais democrático do que isso.

Um país é livre quando não tem escravos. Escravos são os que não são capazes de definir seu destino: escolha para onde ir, com quem fazer amizade ou amar, onde trabalhar, qual carreira seguir, em quem votar, com qual país sonhar. O Brasil luta para ser livre e  quem quer, de fato, liberdade no Brasil, quer para todos os brasileiros. Ou então é um embusteiro, que usa a palavra liberdade como um disfarce para manter a escravidão das pessoas, essa escravidão que é a da falta da autonomia da escolha, seja qual escolha for.

Paulo Freire defendia essa liberdade. Por isso é o Patrono da Educação de um país livre. Quem quer tirar-lhe esse título, não o ofende nem agride, pois que já está morto e enterrado há tempos. Ofende e agride a ideia de uma Brasil livre para todos os brasileiros.
 



Daniel Medeiros
é doutor em Educação Histórica pela UFPR e professor de História no Curso Positivo, de Curitiba.

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