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Como evitar que sua lavoura não enferruje
10/10/2017 as 09:01 h  Autor Carlos Alberto Forcelini/Fabia  Imprimir Imprimir
De norte a sul, a infeliz coincidência da Phakopsora pachyrhizi
e as expectativas para a safra 2017/2018

As ameaças constantes da Ferrugem Asiática estão em todos os canais. Seja via cooperativa, mídias de difusão ou no boca a boca entre produtores. Apesar de anos mais amenos em algumas regiões e outras nem tanto, estar alerta é sempre uma decisão importante. Os cuidados com o manejo correto e as aplicações realizadas com responsabilidade podem evitar que a resistência seja o próximo pesadelo do produtor na safra que começa a ser planejada pós-vazio sanitário. Por isso, Carlos Alberto Forcelini vem trazendo suas impressões sobre os cuidados com a Ferrugem e a Resistência para a próxima safra da soja, enquanto Fabiano Siqueri apresenta os resultados que podem surgir em virtude das guaxas que ficaram pelo caminho.
 
CUIDADOS COM A FERRUGEM E A RESISTÊNCIA NA SAFRA DE SOJA 2017/18

A ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é a principal doença da cultura. A redução de produtividade causada pela ferrugem e outras doenças foliares da soja pode superar 30 sacos/há. Portanto, seu manejo exige atenção especial, principalmente em relação ao programa de aplicações de fungicidas.

A ocorrência da ferrugem é influenciada pelo clima dentro e fora da safra. O fungo causador da doença sobrevive em plantas de soja voluntárias (guaxas ou tigueras) que vegetam nas margens de lavouras e estradas. Em 2016, as temperaturas no Sul do Brasil foram abaixo da normais históricas, com grande frequência de geadas, que eliminaram a maior parte da soja voluntária. Por este motivo as epidemias se iniciaram mais tarde e foram menos severas. Durante o verão, as menores temperaturas noturnas também contribuíram para uma menor ocorrência da ferrugem.

Apesar da ferrugem ter sido menos intensa na safra 2016/17, houve um aumento na resistência de Phakopsora aos fungicidas. Experimentos e lavoura comerciais estabelecidas a partir de novembro, com maior quantidade da doença, evidenciaram a menor sensibilidade do fungo aos fungicidas à base de carboxamida, com reflexos variáveis, porém negativos sobre o controle da ferrugem e a produtividade da soja. Posteriormente, este fato foi comprovado pela rede de ensaios do Consórcio Anti-Ferrugem, especialmente aqueles conduzidos na região Sul e no MS.

A preparação para a safra de soja 2017/18 exige atenção especial. A ferrugem asiática poderá estar presente mais cedo no ciclo da cultura, e em maior quantidade, e os principais fungicidas utilizados no seu controle mais comprometidos pela resistência do fungo. É cada vez mais importante a integração de diferentes estratégias de manejo, como a eliminação da soja guaxa/tiguera, o planejamento da época de semeadura, o uso de cultivares com resistência e adoção de programas de aplicação que sejam seguros em controle e de menor risco de resistência.

A inclusão dos fungicidas protetores (multissítios) nas aplicações é a principal ferramenta para o manejo da resistência. Os principais estados produtores de soja no Brasil, tem média de 3,03 (PR), 3,38 (MT) e 3,83 (RS) aplicações de fungicida por safra. Aumentar esse número, com fungicidas específicos, sujeitos à resistência, não é a solução e pode agravar o problema. Melhor estratégia é incluir mais vezes os protetores, que hoje tem média de 1,5 aplicação/safra. Assim, maneja-se conjuntamente a doença e a resistência.

Outra estratégia é direcionar os fungicidas específicos para as aplicações iniciais, onde há menos doença e, talvez, uma frequência menor de indivíduos resistentes. Mas sempre com o reforço dos protetores. Nas aplicações finais, a lógica seria inversa. Os fungicidas protetores deixariam de ser um reforço, e passariam a ser a base do tratamento, possivelmente em doses maiores. Triazóis à base de ciproconazol ou morfolinas (ex. fempropemorfe) seriam os complementos dos protetores, para controle de outras doenças (oídio) ou ação curativa sobre infecções da ferrugem. Combinações assim foram avaliadas na UPF por três safras, com resultados muito seguros.

A LOGÍSTICA DO MEIO DO CAMINHO
 
E no meio do caminho havia não somente uma pedra. Mas, também as condições ideais para a proliferação de plantas guaxas a beira de uma estrada onde cerca de 90% da soja é transportada. Nesse caminho, também houve vento, varredura e o balanço dos caminhões que rodam por ela. Os mesmos que pouco a pouco derrubaram as sementes de soja e também adubo e calcário. Foi então que no meio do caminho havia a situação ideal para a proliferação de uma grande quantidade de ferrugem.
 
Geradas por quase todos, mas pertencentes a ninguém por lei. Uma real e bem nutrida soja tiguera incontrolável e que acaba sobrevivendo e auxiliando na continuidade da Ferrugem Asiática.
 
Independente do ano anterior, a expectativa sobre a Phakopsora pachyrhizi está sempre alta. Não entramos em nenhuma safra sem imaginar sobre a ferrugem. Pois, essa é uma doença que não nos permite relaxar, mesmo que tenhamos anos de ação mais branda, não existe uma ação durativa e por isso, estamos sempre em alerta nos preparando com estratégias pré-safra para que no momento das primeiras aplicações todos os cuidados já estejam previstos.
 
Há sempre a expectativa de que haverá novamente Ferrugem Asiática, principalmente num ambiente de plantas de soja tiguera à beira das estradas, em pleno vazio sanitário. Outro fator que nos faz estarmos mais atentos à presença da mesma são as chuvas que caíram no mês  de agosto, que ajudam na sobrevivência desse fungo nas plantas guaxas. Pois, quando a Ferrugem sobrevive ali, com o plantio da nova safra o esporo vai para o ar, encontra o hospedeiro (soja recém emergida da nova safra) e começa a nova infecção.

De certo que esse não é o melhor momento e nem tem a condição climática mais favorável, e por isso, temos menos esporo suspensos. Mas, em breve, quando a condição climática melhorar, logo após o vazio sanitário, a quantidade de esporos irá aumentar o que influenciará na infecção de novas safras que já estarão em crescimento.
 
Nos três últimos anos, por termos tido condições ora muito secas, ora muito propícias para a semeadura no cerrado como um todo, e apesar de algumas aparições da Ferrugem, as infecções não chegaram a causar danos de tanta proporção nas lavouras. No último ano também foi conseguido pelos produtores um plantio bastante “acelerado”, o que permitiu um fechamento do ciclo da cultura e uma colheita antecipada, evitando perdas pela doença. Isso faz com que os pesquisadores sintam grande preocupação, pois situações como essa em um passado não tão distante levaram a um relaxamento dos produtores e a grandes prejuízos nos períodos subsequentes. Em situações de aparente “calmaria” o risco é que aplique-se menos fungicidas ou programas mais fracos, sem fungicidas multissítios/protetores, hoje essenciais para um controle seguro da ferrugem asiática. E já temos visto isso, em alguns programas de aplicação, o que causa grande preocupação, porque produtos importantes no manejo da doença estão perdendo a eficácia, o que torna o uso de multissítios, que ainda infelizmente não estão sendo adotados por grande parte dos produtores é primordial, visto a necessidade de se preservar as moléculas que ainda estão funcionando a contento.
 
Como aumentar a eficácia e colher mais?

Começa com a proteção da sua lavoura e utilizar produtos com responsabilidade, além de acreditar nas pesquisas que estão sendo trazidas sobre o fungo.
 
E os cuidados pra já são:

- Eliminar toda planta guaxa que forem encontradas;
- Se preparar bem com a compra de fungicidas no mínimo igual ao pior cenário que já tivemos notícia no passado;
- A indicação é ter o mesmo número de aplicações de multissítio que o de misturas. De forma alternada ou como mistura de tanque;
- Realizar as aplicações preventivas;
- Utilizar bons produtos;
- Fazer o monitoramento da lavoura;
- Respeitar os intervalos de aplicação;
- Respeitar o vazio sanitário;
- E fazer o plantio, dentro do possível, o mais cedo e mais rápido possível.
 
Outro fator importante é que segundo modelos meteorológicos, tem se a confirmação de que o clima está em neutralidade, com um pequeno atraso na estabilização das chuvas em relação ao ano passado. Usar o tempo ao nosso favor é imprescindível.

Carlos Alberto Forcelini, Eng. Agr., Ph.D. em Fitopatologia
Professor Titular da Universidade de Passo Fundo, RS e integrante do Eagle Team
 
Fabiano Siqueri, Pesquisador, Consultor Técnico da Fundação MT e integrante
do Eagle Team
 
SOBRE A UPL
 
A indiana UPL é uma empresa global que traz soluções inovadoras e sustentáveis em proteção de cultivos para o agricultor. Fundada em 1969, a companhia atua hoje em mais de 86 países com 28 fábricas que desenvolvem, fabricam, formulam e comercializam produtos da mais alta qualidade, segurança e tecnologia.

No Brasil, com 11 anos de atuação, a empresa está entre as maiores do segmento com faturamento global de mais de US$ 2 bilhões e ações na Bolsa de Mumbai. A indiana conta com fábrica e estação experimental em Ituverava-SP e foi eleita por dois anos consecutivos como a melhor empresa para se trabalhar pela Great Place to Work® em parceria com a Revista Época. Por meio de seu trabalho com produtores e pesquisadores para encontrar soluções mais eficientes para campo e através de novas formulações e produtos, equipe especializada e expansão de portfólio, conta com forte presença nos mercados de soja, milho, cana-de-açúcar, arroz, café, feijão, citros, algodão, pastagem e hortifrúti.

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