Novoeste on-line - Onde o Oeste da Bahia é Notícia
> Principal > Artigos > Pauta Livre > O dilema do custeio das eleições
 
O dilema do custeio das eleições
09/08/2017 as 09:59 h  Autor Tenente Dirceu Cardoso Gon&cce  Imprimir Imprimir
Tivemos, no Amazonas, uma eleição temporã, que procura escolher o novo governador do Estado. De sete candidatos, restaram para concorrer no segundo turno dois ex-governadores – Amazonino Mendes (PDT) e Eduardo Braga (PMDB) – cujos partidos são denunciados por prática de corrupção eleitoral, mesmo motivo que levou à cassação do governador José Melo (PROS), a quem o eleito substituirá. Demonstração de que as novidades políticas não são significativas para a disputa naquele estado. E assim é em todo o território nacional, onde as práticas mantêm os mesmos no poder e faz dos demais apenas coadjuvantes do chamado jogo democrático. O quadro, infelizmente, tende a ser idêntico no próximo ano, quando seremos chamados a eleger o novo presidente da República, governadores estaduais, senadores e deputados federais e estaduais. Os grandes partidos, fortalecidos pelos esquemas de corrupção que hoje povoam o noticiário, têm mais chances de manter seus caciques. Acontecem as eleições e nada muda.

Como resultado dos malfeitos eleitorais apurados, está proibida a doação empresarial para campanhas, partidos e candidatos. Fechadas as torneiras das empreiteiras que fraudavam e superfaturavam obras governamentais, as eleições restam sem recursos para o custeio. Corre-se o risco de partidos e candidatos utilizarem o caixa dois ou – o pior – receberem aporte do crime organizado para fazer frente às despesas. É um problema que carece de urgente solução.

Para valer nas próximas eleições, todas as alterações à legislação eleitoral têm de estar votadas pelo parlamento – Câmara dos Deputados e Senado – e sancionadas até a véspera do dia 2 de outubro próximo, quando começará a vigorar o calendário eleitoral de 2018. Uma das possibilidades é o estabelecimento do custeio público das campanhas, mas até isso ainda é uma idéia vaga. Governo e congressistas precisam agir rápido, se não quiserem ter as eleições mais magras da história. As empresas que os apoiaram nas eleições passadas hoje estão nas barras dos tribunais e têm até dirigentes presos por corrupção eleitoral.

Em menos de dois meses que nos separam da data limite de vigor do calendário eleitoral (que começa um ano antes da eleição) pouca mudança poderá ser feita, especialmente num congresso que atua lento como o brasileiro. Não teremos voto distrital, alteração no regime de governo e outras coisas que se discute há anos. A prioridade é saber de onde tirar o dinheiro que não pode mais vir das empreiteiras.

A tendência é termos mais do mesmo. Muitos partidos, conchavos eleitoreiros, negociação de cargos e manutenção da política de coalizão. Não há garantia de viabilidade nem mesmo de conclusão da reforma trabalhista e da reforma previdenciária que o governo insiste em realizar. A partir de agora, a tendência é os parlamentares fugirem de temas polêmicos que possam comprometer suas imagens junto ao eleitorado...
 



Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br     
 

Comente via Facebook
Mais Artigos
Não há comentários.
img


img
RSS  Artigos Artigos

Quando me perguntam se é possível aplicar na educação brasileira práticas bem-sucedidas de países com melhores resultados educacionais que o Brasil, costumo responder - para surpresa do interlocutor - com uma afirmação e uma negativa. Essa conjunção de ‘sim e não’ é a...
Até o pleito de outubro, os eleitores colocarão uma lupa sobre os candidatos. Farão um controle mais apurado do que em eleições passadas. Primeiro, em função da desconfiança que paira sobre os políticos. Segundo, porque o voto começa a sair do coração para subir à cabeça. O voto...
Na esteira da decretação de intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, vemos o embate de como executar o trabalho. Membros do governo dizem que as Forças Armadas não terão poder de polícia, falam em ação de busca e apreensão monitorada pelo Judiciário e...
Isso é Brasil! Até onde vai a promiscuidade dos nossos governantes?  Será que estão realmente preocupados com a melhoria do ensino de medicina ou com possíveis futuros financiadores de campanhas políticas, em face à realidade nacional?  Pois bem; de olhos gananciosos no alto...
O escritor sergipano Ariosvaldo Figueiredo escreveu certa vez que “moralismo e juridicismo são vertentes ideológicas de uma pequena minoria conservadora”. Frase que nunca esteve tão atual como nos dias em que vivemos, onde quem deveria zelar pela moral e pelos bons...
img
img
img
PUBLICAÇÕES RECENTES
img




img

img
img
img
CASAS img LOTES img FAZENDAS
img
CHÁCARAS img PRÉDIOS COMERCIAIS img GALPÕES
img
RSS  Dicas de Leitura Dicas de leitura
img
Como falar às crianças e adolescentes sobre respeito às diferenças? E se essas diferenças forem algo de certa forma muito difícil de explicar? É isso que faz de forma poética e muito alegre o livro Você sabe quem eu sou? Então vou te contar, de Herica B. T. Secali.
Ao questionar Paulo Freire, Ronai Rocha analisa alguns dos paradigmas mais arraigados na nossa educação. A crise na educação brasileira é inegável. A baixa qualidade das aprendizagens, a estagnação do desempenho escolar nos testes padronizados, a pouca...
Mais de quinze anos depois do lançamento de As aventuras de Pi, Yann Martel retoma ao cenário literário com o romance As altas montanhas de Portugal, publicado no Brasil pelo selo Tordesilhas. Nesse livro, Martel mantém o estilo inventivo e...
img
img
RSS  Top Vídeos Top Vídeos
img
Thumbnail
img
img
img
RSS  Classificados Classificados
img



img
img



RSS GOOGLE + YOUTUBE TWITTER FACEBOOK